sexta-feira, 13 de maio de 2011


Quilombo do Catucá Leave a comment
ARTIGOS
O QUILOMBO DO CATUCÁ EM PERNAMBUCO
Marcus Joaquim M. de Carvalho*
Os Professores do Departamento de História da Universidade Federal de Pernambuco. Caderno CRH, n. 15, p. 5-28, jul./dez., 1991
Esta é uma pequena História do quilombo do Catucá.

Reis Maluguinho(Não é a foto do Reis Malunguinho - Lembra o Lider do Catucá)
Ele foi um resultado da luta dos escravos pela liberdade e um subproduto do caos político em Pernambuco, entre 1817 e o final da década de 1830.
Morando muito perto do Recife, os quilombolas se tratavam mutuamente por mulungus (companheiros da viagem da África) e elaboraram uma série de estratégias de sobrevivência, que incluíam a cooperação da população negra livre e dos escravos dos engenhos próximos.
A historiografia sobre a resistência escrava no Brasil teve um grande avanço nos últimos anos, quando os historiadores se debruçaram sobre diferentes aspectos do protesto escravo no país.
Nesse artigo examinaremos um quilombo que já foi mencionado aqui e ali nos trabalhos clássicos de Gilberto Freyre, Roger Bastide, Richard Price e mais recentemente Stuart Schwartz.
Embora essas referências sejam indicadores da importância do estudo do quilombo do Catucá, ainda há muito que se fazer para conhecer melhor o assunto, uma vez que esses autores basearam-se no trabalho do historiador oitocentista Pereira de Costa para fazerem suas ilações sobre o Catucá.
Nas páginas seguintes buscaremos cobrir essa enorme lacuna no estudo da resistência do negro no Brasil, buscando levantar a vida e morte do quilombo pernambucano mais importante do século passado.
Como fenômeno histórico, os quilombos são parte de um conjunto mais largo de estratégias de sobrevivência e resistência escrava.
Por essa razão eles são fenômenos dinâmicos que mudam com o tempo.
No alvorecer do século dezenove, a província do quilombo do Catucá era bem diferente da antiga capitania do quilombo dos Palmares.
Mais de cem anos que separam aqueles dois momentos viram a consolidação da ocupação do sertão, o nascimento da cultura algodoeira, a quase total ocupação da costa por engenhos de açúcar, bem como o surgimento de uma população livre bastante diferenciada de quase meio milhão de habitantes.
A sociedade tomara-se mais fechada, a repressão aos escravos mais eficiente, a fuga para o mato mais difícil à medida que a agricultura comercial ocupava os nichos ecológicos mais apropriados para esconderijo.
O quilombo dos Palmares localizava-se numa área bem além da fronteira canavieira.
O quilombo do Catucá margeava a fronteira agrícola da zona da mata norte, começava quase que num subúrbio do Recife.

A floresta do Catucá serpenteava a área mais populosa da província, a zona da mata seca, ao norte do Recife.
Cortada por muitas estradas e picadas, ela começava nos limites de Beberibe, antigo subúrbio do Recife, passava pelo sítio dos Macacos e por São Lourenço, mais a oeste da capital, lançando-se entre os engenhos costeiros e a serra a oeste do Recife em direção ao norte.
Passava pelos mangues e rios da região, chegando não muito longe da costa em Paratibe e daí a Pasmado, perto da ilha de Itamaracá, até o povoado de Tejucupapo, próximo à vila de Goiana, já quase na fronteira com a província da Paraíba.
O centro do quilombo estava num pedaço dessa floresta, situado entre as matas dos engenhos Timbó e Monjope, entre as freguesias de Paratibe, Paulista e Recife, um local de terreno acidentado, cortado por riachos e brejos, conhecido como Cova da Onça.
A floresta do Catucá era cortada pelas estradas que levavam gado e algodão dos distritos de Bom Jardim, Limoeiro e Nazaré para o Recife, ou para Goiana, importante entreposto comercial na Zona da Mata.
Os caminhos do gado abriam grandes clareiras nas florestas e com o tempo transformaram-se em largas estradas de terra batida.

Da área canavieira, circundando Goiana, Igarassú e Itamaracá, seguia açúcar para o Recife, principalmente pelo mar.
Mas muitas estradas menores ligavam à capital e os povoados da área de maior densidade populacional da província, onde transitava uma população livre bastante diferenciada. As comunicações entre o porto do Recife e o hinterland da Zona da Mata seca passavam, portanto, perto do quilombo.
A situação era ideal para os ataques dos quilombolas. Por outro lado, essa proximidade das estradas também facilitaria as manobras das tropas senhoriais e a posterior destruição do Catucá.

CAPITÃO DO MATO
Gilberto Freyre – Catucá incluiu esse nome entre aqueles de origem africana na toponímia pernambucana (Freyre, 1980: 452, nota 103).
Pode-se acreditar que aquela floresta foi esconderijo de escravos fugidos desde tempos imemoriais. Contudo, as fontes só tardiamente se referem especificamente à existência de um quilombo no Catucá.
Koster, durante uma viagem ao engenho Timbó, mencionou o fato de a floresta do engenho servir de esconderijo para bandidos e escravos. Contudo, ele viajou de Recife a Goiana, descrevendo minuciosamente o percurso, e morou algum tempo em Itamaracá, mas não mencionou quilombolas na área (Koster, 1978: 66-68).
Parece portanto que, mesmo assumindo que florestas sempre foram lugar de esconderijo de fugitivos, o quilombo do Catucá só veio a existir como tal às vésperas da independência. Talvez seja impossível datar precisamente o nascimento do quilombo.
Mas pode-se assumir que muitos escravos devem ter procurado as matas durante a revolta de 1817, cujos participantes foram principalmente plantadores de algodão e cana que circundavam o Catucá.
Posteriormente, foi entre Goiana e Beberibe que se mobilizaram as tropas senhoriais para expulsar o governador português Luís do Rego em outubro de 1821.
Ali também viviam muitos dos plantadores da Confederação do Equador, em 1824.
A história do quilombo do Catucá, portanto, está intimamente ligada a história política e social da província como um todo. Não que a população negra tivesse ganhado alguma coisa naquelas disputas.
Mas a divisão das elites levou a uma desorganização dos aparelhos repressivos que facilitou a fuga dos escravos e a formação de quilombos na província.
As fugas individuais eram combatidas como parte do exercício da justiça privada dos senhores. Bem mais difícil era combater fugas em massa, ou grupos de escravos reunidos.
Os custos também pesavam aí. As diligências contra quilombolas freqüentemente Envolviam esforços que nem sempre um ou poucos senhores de engenho poderiam garantir.
Por essa razão, a união das elites era um pressuposto importante para as diligências maiores. Só quando liberado de seu papel de regulador dos conflitos intra-elites, o Estado podia apoiar mais efetivamente as tropas senhoriais. Por essa razão o quilombo renascia sempre que as elites se dividiam, e sofreu seus maiores revezes quando a classe senhorial estava unida.
Ele cresceu com as disputas pela independência e a Confederação do Equador, mas foi duramente combatido na segunda metade da década de 1820.
Voltou a crescer no final da década, e na primeira metade dos anos 30, quando várias convulsões agitaram o Recife e o interior, principalmente a Cabanada (1832-1835), no outro lado da província.
Terminada a guerra dos cabanos, a repressão voltou-se novamente para a zona da mata seca. O Catucá continuaria existindo como asilo de fugitivos da justiça estatal e senhorial, mas o quilombo, como tentativa de construção de uma sociedade alternativa, foi destruído no final da década de 1830.
A primeira diligência de maiores proporções contra os quilombolas deu-se em 1823. Um grupo de 24 ou 25 escravos fugiu do engenho Abreos em Tracunhaém e foi se alojar na floresta. Senhores de engenho da área juntaram-se no engenho Mussupinho em Igarassú e dali partiram para as matas.
Bateram a Cova da Onça com suas tropas durante 6 dias. Segundo uma autoridade, os fugitivos não tiveram tempo de se juntarem aos quilombolas, que abandonaram as matas quando a diligência iniciou.
Mesmo assim só conseguiram aprisionar 13 dos fugitivos que estavam escondidos perto do engenho Monjope, e gastaram nada menos do que 352$925 réis em requisições para a operação (APEPE, 1823).
Conforme observou Pereira da Costa, por volta de 1824 o quilombo do Catucá já era bastante conhecido, tanto que Frei Caneca chamou pejorativamente de Catucá às tropas realistas estacionadas na fronteira entre Pernambuco e Alagoas, bem longe do quilombo, portanto (Costa, 1985:9:47,286; Thypis, 1824).

NEGRO ANGOLANO
Ironicamente, parece que os quilombolas se beneficiaram muito da guerra intra-elite de 1824. Em abril de 1824, o porto do Recife já estava bloqueado pelo Comandante Taylor por ordem de Pedro I.
No sul de Pernambuco as tropas aliadas ao Rio de Janeiro se organizavam para retomar o Recife. O Presidente confederado necessitava de todas as tropas disponíveis para tentar parar o exército imperial na costa sul de Pernambuco.
Os quilombolas apareceram então com mais força, roubando e matando gente “diariamente”, segundo uma autoridade.
As estradas na zona da mata norte estavam por essas razões intransitáveis, os engenhos ameaçados. Nem a proteção senhorial impedia o ataque dos quilombolas, tal como o ocorrido a um morador do engenho Guruguza que foi roubado em sua casa (APEPE, 1824).
Só depois da Confederação do Equador, em abril de 1825 foi que a classe senhorial conseguiu começar uma repressão mais eficaz sobre o quilombo. O General Lima e Silva, Presidente da província, mandado por Pedro para debelar a Confederação do Equador, utilizou a mesma tropa que derrotou o governo confederado para combater os quilombolas (Correspondência, 1825; Diário, 1825).
Apesar dessa operação, o quilombo continuou vivo. Em janeiro de 1826, o comandante das milícias de Igarassú, senhor de engenho próximo ao Catucá, atacou os quilombolas e para tanto requisitou munição e víveres do governo (APEPE, 1826a).

JORNAL UNIVERSAL
A proximidade do Recife preocupava as autoridades. A própria polícia da capital vez por outra prendia quilombolas nas freguesias próximas as matas (APEPE, 1826b). Em maio de 1826, o assunto entrou pela primeira vez na pauta da reunião do Conselho de Governo por causa de uma representação de vários senhores de engenho.
O Conselho de Governo reconheceu a necessidade de combater os “negros fugidos amocambados nas matas próximas a essa cidade” e para tanto se dispôs a colaborar com os senhores da área na extinção do quilombo (APEPE,1826c).
Só com recursos do Estado, representados principalmente por armas do exército e pagamento de soldo aos ordenanças (posteriormente guarda – nacionais) e milicianos, e às vezes até tropas de primeira linha, seriam possíveis as diligências de maior envergadura entre 1826 e 1837.
Um grande problema para as tropas senhoriais era o nível de organização atingido pelos quilombolas. De acordo com a documentação do Conselho de Governo, os quilombolas estariam então se preparando para um ataque ao Recife.
Estavam tramando o que um oficial chamou ser uma “resistência formal”, inspirada na rebelião em Salvador em agosto de 1826 (APEPE, 1827).
Essa consciência da luta anti-escravagista em outras províncias sem dúvida era perigosa para a classe senhorial.
A ameaça ao Recife levou as autoridades a conduzirem outra diligência de porte, com a ajuda dos senhores de engenho e seus corpos de ordenanças. A operação seguiu o padrão das anteriores.
Enquanto as tropas batiam as matas, piquetes foram espalhados nos pontos de possível fuga dos quilombolas, caso resolvessem deixar a floresta.
Os quilombolas lutaram bravamente. Um número não sabido morreu em combate e foram feitos 63 prisioneiros. Mesmo assim o comandante da operação reconheceu que a “maior parte fugiu” e que por tanto voltariam assim que a tropa deixasse a floresta. O oficial que comandou a operação encontrou muitos “mucambos”, e mesmo “casas” além de “muitas lavouras”, que tratou de destruir e queimar antes de se retirar das matas (APEPE, 1827).

ALVARA
Essa menção explícita à existência de casas nas florestas mostra que houve portanto oportunidade para que alguns rebeldes construíssem um vida semi-sedentária, com a formação de famílias, unidade básica para a construção da noção de liberdade do escravo.
A constante repressão a partir de 1826 tornou mais difícil essa sedentarização e a prática de uma agricultura mais variada que a onipresente mandioca.
Os quilombolas tornaram-se cada vez mais móveis, andando em grupos menores, em que as mulheres participavam de todas as operações.
Uma “quadrilha” de quilombolas que atacou o barão de Cimbres em 1830 incluía 4 mulheres. Quando o quilombo foi arrasado em 1835, as autoridades Certamente referiam-se ao levante de agosto de 1826. Vide Reis (1986:73-74).
Acreditaram que apenas 4 homens e 6 mulheres teriam conseguido escapar das tropas (Lisboa, 1835; A Quotidiana, 1835). Apesar daqueles ataques, foi possível aos quilombolas construir uma hierarquia mais ou menos sólida em várias épocas, outro indício da complexidade atingida pela comunidade do Catucá.
Em algumas diligências menciona-se a captura de uma ou outra pessoa tida como chefe dos demais. Era comum também compará-lo (com algum exagero, é claro) com o quilombo dos Palmares, “república ainda que rústica (…) a cujo exemplo pretendem imitar os do Catucá, elegendo Chefes…” (APEPE, 1829).
O documento mais revelador a respeito da tentativa de formação de uma hierarquia estável, contudo, é o que trata da diligência mais destrutiva contra o quilombo, datada de 1835.
Dois dos líderes foram capturados, um deles filho do chefe anterior, morto em combate. A autoridade havia, portanto passado de pai para filho, o que confirma a relativa estabilidade do quilombo, em que pese os constantes ataques das tropas senhoriais (APEPE, 1835; Lisboa, 1835;A Quotidiana 1835).

A Fulga dos Escravos
O mais famoso líder quilombola ficou conhecido como Malunguinho, famoso a tal ponto que o espaço da resistência negra também costuma ser referido pelas fontes como quilombo de Malunguinho.
No começo de 1827, o governo provincial oferecia o prêmio de 100 mil réis pela sua cabeça.
Outros líderes, como Valentim e Manuel Gabão, valiam o prêmio de 50 mil réis cada um, e a captura de qualquer outro quilombola, 20 mil réis (APEPE, 1827).
A análise do nome Malunguinho traz alguns subsídios para o entendimento do Catucá. Por Malungos, ou companheiros, se tratavam mutuamente aquelas pessoas que vieram ao Brasil no mesmo navio negreiro.
Os dois viajantes – Koster e Tollenare – indicaram, em meados da década de 1810, que este era um liame informal muito significativo entre os escravos de origem africana no Brasil.
Pereira da Costa, seguindo a documentação sobre o quilombo, chamou de Malunguinho um líder rebelde, mas lembrou também que os próprios quilombolas eram conhecidos por malunguinhos.
Ocorre que, apesar das inúmeras diligências contra o quilombo, não há informações concretas da fuga, captura ou morte de algum líder por nome Malunguinho. Tudo o que sabemos foi que sua cabeça foi colocada a prêmio em janeiro de 1827.

ESCRAVOS MATAM SENHOR DE ENGENHO
Os documentos de uma expedição punitiva em 1829, mencionam explicitamente o nome de 5 supostos líderes do Catucá.
Todos tinham nomes próprios, e entre eles não se mencionou nenhum com o apelido de Malunguinho (Silva, 1988: 76-91)
O nome de Malunguinho permaneceu, contudo, como um importante referencial do quilombo. Essa forma diminutiva do termo malungo, pode talvez não se referir a uma pessoa, mas a forma como a classe senhorial chamava qualquer chefe do quilombo.
Sendo Malunguinho o chefe e Manuel Gabão um dos seus principais subordinados em 1827, pode-se inferir também que haveria uma predominância de africanos no Catucá, até essa data ao menos, o que historicamente tem sido a regra na maioria dos quilombos.

Mas o emprego da forma diminutiva do termo malungo indica um estágio de aculturação bastante avançado.
Se Malunguinho não foi uma única pessoa, mas qualquer chefe na visão daqueles que escreveram os documentos, O último Malunguinho foi João Batista, morto em combate em 1835 (APEPE, 1835).
As fontes não dizem se era africano ou crioulo (e o seu nome cristão pode ter sido dado pelo senhor), mas podemos inferir que seu filho e sucessor provavelmente deve ter nascido no Brasil.
Apesar do prêmio por suas cabeças, os negros do Catucá não se limitaram a tentar construir uma sociedade alternativa na floresta. Enquanto existiu o quilombo, houve ataques aos engenhos da região, bem como às casas dos moradores próximos das matas, comerciantes e esse dado permite-nos especular que talvez o quilombo tenha se originado de uma fuga de escravos vindos no mesmo navio negreiro.
Posteriormente, todos os novos membros do quilombo tornavam-se também malunguinhos.
Esse importante trabalho traz alguns documentos sobre o quilombo do Catucá, publicados originalmente em 1947-48, os quais contêm algumas palavras e nomes truncados.
A maior parte desses originais se perderam, mas é possível corrigir alguns desses defeitos comparando-se com os documentos ainda existentes nos arquivos pernambucanos e aqui utilizados.
Por essa razão é válido considerar que “Matunguinho”, ou “Mabenguinho”, são frutos de uma leitura errônea do nome Malunguinho nos manuscritos (Silva, 1988: 88-90).
Na diligência, já mencionada, de 1829, pelo menos três escravos boçais foram capturados no quilombo. Dois não sabiam dizer o senhor ou o local de morada (Silva (org.), 1988: 79). Um outro, capturado depois, não sabia absolutamente nada de português ou de qualquer outra língua africana conhecida pelas autoridades (APEPE, 1829a).
Boiadas que transitavam nas estradas que ligavam o Recife a Zona da Mata norte, e daí seguiam para as fazendas de algodão e gado no agreste e sertão. Algumas das operações dos quilombolas atingiram dimensões consideráveis.

NEGRA - MALUNGO
Em 1828 eles não só atacaram o engenho Guruguza como chegaram a queimar o engenho Utinga, o que levou as autoridades a organizarem mais uma expedição punitiva.
Muitos foram então mortos e capturados. Não foi possível saber quantos, mas do lado da lei os dados são precisos: pelo menos cinco soldados foram mortos, e uns cinqüenta feridos em combate ou em estrepes e armadilhas colocadas pelos rebeldes nos caminhos que cortavam as matas.
Muitos deles ficaram aleijados, de acordo com o comandante da operação, que acreditava ter eliminado os quilombolas mais próximos da vila de Goiana, mas lamentava que não fora possível fazer o mesmo com aqueles das matas mais próximas do Recife.
As fontes indicam que os quilombolas não estavam isolados. A bem da verdade fica difícil entender a sua existência assim tão perto do Recife, numa área cortada por várias estradas sem o apoio de uma rede de contatos fora da floresta que os informasse sobre as manobras das tropas senhoriais.
Esse problema era mencionado freqüentemente pelos senhores de engenho da área, que pediam “segredo” nas diligências, pois a população local sempre informava os quilombolas dos movimentos do inimigo (APEPE, 1829c).

Na zona rural mais populosa da província, o contato entre rebeldes e libertos, e mesmo escravos dos engenhos da região, era fundamental para a existência do quilombo.
Essa cooperação ocorreu inclusive nos ataques dos quilombolas. O Catucá, portanto, está entre os quilombos do Brasil oitocentista, que tinham por base essa cumplicidade entre escravos de engenho, quilombolas e a população livre e liberta local, mormente os não proprietários dos meios de produção. Tal como lembrou Suely Robles, nessa época a tentativa de reconstrução das tradições africanas num quilombo não era suficiente para segregar os quilombolas da população livre pobre da área.
O Catucá era um quilombo móvel, dividido em vários grupos no meio da floresta, tendo por meio de vida não só a agricultura de subsistência, mas também furtos nos engenhos e assaltos nas estradas, além da prática de algum comércio e contrabando. Conforme estudos anteriores demonstram, estas atividades tinham por pressuposto a cooperação de pessoas de fora do quilombo.
“Correspondência Oficial” 08/11/1828 in Costa (1985: 284-286). Diário de Pernambuco (1828). APEPE (1828). Schwartz (1979:219); Price (1979:13); Bastide (1978: 90-96); Queiroz (1977:144).
As autoridades explicavam essa situação dado a solidariedade racial. Consideravam que toda a população entre Paratibe e Cruz de Rebouças era constituída de “negros” e “cabras”, “sócios” dos quilombolas, que compravam pólvora para eles e davam “asilo” aos fugitivos. Vale também observar que, mesmo os cativos que permaneciam nas senzalas nem por isso deixaram de contribuir para a resistência do quilombo. Os escravos do engenho Monjope, por exemplo, ao menos uma vez forneceram farinha aos quilombolas (APEPE, 1830).

Os libertos da área iam até mais longe nessa aliança. A própria fragilidade da sua condição explica o pouco distanciamento entre eles e os quilombolas10. Em 1829, uma expedição militar de 100 homens enfrentou perto do engenho Monjope uma guerrilha do Catucá de pelo menos 20 pessoas.
Segundo as fontes os líderes da guerrilha eram dois homens livres, Cosme da Ora e Manoel da Ora. O pai deles e pelo menos mais um irmão já haviam inclusive sido presos por ajudarem “Malunguinho”.
Mas havia também homens brancos cooperando com os quilombolas. Desde os tempos coloniais é sabido que plantadores próximos aos quilombos tinham que negociar com os seus inimigos de raça e classe (Schwartz, 1979:219; Mattoso, 1982:161-162).
O medo dos ataques dos rebeldes era a principal razão dessas alianças contraditórias e contingenciais, embora o contrabando de armas não deva ser esquecido como fonte de renda. O Oficial que comandou a já mencionada diligência de fevereiro de 1828 estava então muito decepcionado com os homens brancos da região. Não só os moradores dos engenhos, mas mesmo os senhores recusavam-se a ajudar as tropas do Estado por temerem a vingança dos quilombolas.


MERCADO
De acordo com aquela autoridade, eles preferiam manter os seus negócios com os rebeldes, a quem vendiam pólvora e cartuchame.
Esse medo ficou mais evidente quando da prisão dos irmãos libertos
Manoel e Cosme da Ora, aliados de Malunguinho. Para surpresa do comandante da expedição militar, eles foram soltos pelas autoridades locais que temiam a reação dos quilombolas
Essa fragilidade foi percebida pela população de Pernambuco em 1828 e em 1851.Em ambas as ocasiões várias igrejas e prédios governamentais foram invadidos pela população rural por causa de boatos de que o governo pretendia escravizar os “homens de cor”. Foi essa a forma como os grupos subordinados interpretaram o anúncio, em 1828, dos tratados para o fim do tráfico em três anos, e a lei Euzébio Queiroz de 1850. Carvalho (1989:111-113). “Correspondência Oficial,” 24/02/1829 in Diário de Pernambuco (1829).
Da mesma forma, mesmo os senhores mais abastados temiam a coragem dos negros do catucá. Em 1828, sabia-se que muitos se escondiam nas margens das matas circundando o engenho Monjope e Saquin. O senhor do engenho Saquin, em resposta a uma denúncia, escreveu numa folha local negando que jamais teria cooperado com os quilombolas. Lembrava aos leitores que eles eram seus “inimigos” tanto que haviam queimado um engenho de sua família, o Utinga, algum tempo antes (Diário de Pernambuco, 1828). Não há porque não considerar o senhor do engenho Saquin um “inimigo” dos quilombolas.
Essa parte do argumento do senhor é bem clara. Contudo, parece também evidente que a ameaça de um ataque, como o ocorrido no Utinga, forçava os “inimigos” do quilombo a vez por outra cederem e assim não atraírem sobre si a força dos rebeldes.
Em alguns casos a amizade com os quilombolas poderia até salvar a vida e bens de um proprietário. Há pelo menos um caso razoavelmente bem documentado.
Em 1829, havia pelo menos duas “quadrilhas” de quilombolas nas matas. A que era comandada por João Pataca passou a noite da véspera do dia de Santo Antônio batucando na senzala do engenho Macaco, sem ser importunada. Algum tempo depois um grupo de quilombolas atacou aquele engenho. O senhor estava ausente, mas lá estava sua esposa, Dona Helena, de quem tentaram arrancar alguns anéis que trazia nos dedos. Uma mucama então aproveitou um descuido dos assaltantes e procurou João Pataca que marchou com alguns homens para o engenho. Os dois assaltantes foram capturados castigando exemplarmente, um dos quais morreu na “roda de pau” que lhe foi imposta (APEPE, 1829c).
A pobreza era o laço mais significativo entre homens de diferentes nuanças raciais. Em 1830, um grupo já mencionado acima atacou um proprietário local. As fontes indicam que além de 4 mulheres e 12 negros, havia dois pardos e pelo menos um homem branco no grupo (APEPE,1830a). Por definição um homem branco não podia ser quilombola. Esse caso, portanto, é indicativo de uma transição de rebeldia escrava para o banditismo. Transição que parece ter sido comum, pois era tênue a linha que separava o crime do escravo fugitivo dos demais crimes definidos por lei. Até mesmo porque não havia como um quilombola não ser também um expropriador dos bens da classe senhorial. As linhas de cooperação de classe numa sociedade baseada na escravidão poderiam então cruzar categorias sócio-políticas, tal como a de escravo. “Correspondência Oficial,” 24/02/1829, Diário de Pernambuco (1829).

FAZENDA DE CAFE
O banditismo era a situação ideal nesse cruzamento: bandos de criminosos que incluíam gente “de todas as cores” agiam por todo o interior de Pernambuco14. Além disso, desertores e criminosos freqüentemente encontravam suas companheiras entre escravas foragidas (APEPE, 1830d).
0 uso do termo “branco” nas fontes também deve ser tomado em seu sentido mais amplo. Afinal muitos senhores mestiços preferiam se considerar brancos. Assim a referência a presença de “brancos” junto a quilombolas pode ser indicativo da participação de mulatos brasileiros, escravos ou não, na resistência armada. Essa presença de “brancos” entre os quilombolas parece ter sido cada vez maior na medida em que o tempo passava, trazendo a miscigenação em larga escala entre os grupos subordinados, tornando os sonhos de reconstrução de uma sociedade africana na selva mais difíceis de serem realizados, e confirmando que a vida do homem livre pobre oferecia poucas chances de ascensão social.
Numa diligência ao “palmar” encontrado no Catucá em 1835, o comandante das tropas senhoriais afirmou haver gente de todas as cores por lá, chegando a dizer que viu poucos negros entre os quilombolas (APEPE, 1835a).

Alguns meses e expedições punitivas depois, uma autoridade continuava afirmando que o quilombo “não é só composto de pretos” (APEPE, 1835a).
O final dos anos vinte seria terrível para os quilombolas. Em 1829, eles estavam suficientemente fortes para tomarem a iniciativa na guerra de guerrilhas. Por duas vezes foram eles que atacaram de surpresa as tropas mandadas para as matas.
Por essa razão, o governo resolveu deixar um corpo permanente de 80 homens nas vizinhanças da floresta do Catucá.
Isso não foi o bastante para conter os Malunguinhos. Continuaram os assaltos aos engenhos e estradas, freqüentemente com a ajuda de homens livres.
Em março de 1829, pelo menos 3 soldados morreram num desses ataques e três ficaram feridos. De acordo com o Comandante das Armas da Província, os juizes de paz locais eram Impotentes contra os quilombolas e seus aliados libertos. Por essa razão, quatro batalhões de aproximadamente 60 homens cada foram enviados para as matas. Eles incluíam 45 soldados de primeira linha, 84 milicianos e 114 ordenanças. Além dessa tropa, um outro grupo de 237 milicianos e ordenanças entrou na mata, dividido em pequenas patrulhas. Em que pese o significativo número de tropas já empregadas desde março, em julho o Comandante das Armas da Província ainda acreditava que haveria de 200 a 300 pessoas escondidas nas matas, divididas em 4 quilombos principais.
Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, Ministério da Justiça, IJ1 820, 26/07/1830.
Diário de Pernambuco (1829). APEPE (1830b).
“Correspondência Oficial,” 24/02/1829 in Diário de Pernambuco (1829).
Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, Ministério do Exército, IG1 64,27/03/1829.

A solução parecia portanto ser uma mudança de estratégia. Os guerrilheiros negros conheciam perfeitamente a floresta em que operavam, e com freqüência sabiam com antecedência das manobras das tropas. Nos momentos das diligências eles se escondiam não só na mata fechada, mas também nas grotas, nos mangues próximos à costa e nas ilhotas dos rios da área. Em alguns casos chegavam mesmo a saírem das matas por algum tempo, o que justificava a preocupação, nas maiores diligências, em cercá-las.
Na estação chuvosa, de maio a agosto, contudo, os quilombolas tornavam-se mais confiantes e se estabeleciam em “palmares limpos”, como asseverou uma autoridade (Silva, 1988: 88-89).
Dentre os Líderes Quilombolas nas matas do Catucá, em 1829, chamava atenção especial das autoridades às atividades de João Pataca, o homem que puniu os assaltantes do engenho Macaco.
Segundo as autoridades, havia uma outra “quadrilha” de quilombolas por lá, comandada por João Bamba, a qual era “ladrona e atacante”. No entanto João Bamba sempre agia em acordo com Pataca, cuja “quadrilha” era “mais mansa”. Pataca e seus homens apareciam nos vilarejos da área onde faziam compras e vendiam peixes.
O líder andava com “negras e guarda de honra”, fazia batuques nas matas, em alguns engenhos da área, e até mesmo dentro de casas no vilarejo de Tejucupapo (APEPE, 1829c).
De acordo com uma autoridade, antes eles iam a Tejucupapo “de salto”, mas “hoje [julho de 1829] são pacíficos moradores nela, comendo, batucando, passeando armados e obrigando que se lhes vendam armas e pólvora” (APEPE, 1829c).
Pela mesma época, os comandados de Pataca se alojaram pacificamente na povoação de Ponta de Pedras e ficaram lá batucando entre os dias 24 e 28 de junho de 1829 (APEPE,1829c).
Essa atitude é reveladora da tentativa dos quilombolas, não só combaterem a escravidão, mas também de se integrarem à sociedade, mas como homens livres.
A aliança com a população pobre do lugar, e até com alguns senhores, como Dona Helena, do engenho Macaco, era parte dessa estratégia mais ampla de sobrevivência.
Pataca sabia do respeito que lhe era tributado pela população local. Ao prender os dois quilombolas que assaltaram o engenho Macacos, Pataca os levou para a casa do comandante da milícia local para que fossem presos.
A autoridade alegou que não tinha cadeia e que Pataca os deveria remeter ao juiz de paz. Contam as fontes deixadas pelos homens brancos, que Pataca teria retrucado que também era Juiz de paz, e tratou ele mesmo de punir os dois assaltantes (APEPE, 1829c).
As fontes não se importam com os aspectos culturais do quilombo. Mas talvez Pataca tenha sido um Babalorixá na área, e como tal um importante contato entre os guerrilheiros das matas e a população de origem africana livre ou escrava.

Essa desenvoltura dos quilombolas levou o governo a mais uma vez, tomar as rédeas da repressão. Resolveram então cercar a floresta, além de utilizar embarcações para varejarem os pontos próximos à costa, bem como os mangues e os rios da região.
Nos seus planos, o comandante da expedição tencionava contar com 500 homens, espalhados em vários pontos da área, incluindo-se canoas com 8 homens cada para caçarem os fugitivos nos mangues e rios, bem como diversos piquetes de 20 soldados em vários pontos nas margens da floresta, para evitar que abandonassem a sua proteção natural enquanto durasse a diligência (Silva,1988: 73-75).
Pataca foi um dos primeiros a serem presos. Sob promessas de alforria, e certamente depois de muitos castigos, as autoridades conseguiram que ele e mais um outro quilombola se tornassem batedores, o que em muito facilitou suas manobras. Muitos rebeldes foram mortos, inclusive o líder Guerreiro João Bamba e um outro importante chefe, José Brabo. Mas Manoel Galo, outro, dos principais lideres, teria escapado (Silva,1988: 76, 83).
A devastação foi grande. Cercados por vários piquetes, ficou mais difícil a mobilidade dos quilombolas. Resistiram bravamente, contudo. “Ao final da diligência, afirmava uma autoridade que, embora o Catucá tivesse sido “reduzido a um pequeno número de negros”, era ainda ‘temível por serem bons conhecedores destas matas, bem exercitados no fogo e estão fugidos há muitos anos” (Silva, 1988: 88).
O quilombo sofreu muitas perdas nessas expedições da segunda metade dos anos vinte e talvez tivesse sido extinto naquela época não fosse, mais uma vez, a ajuda indireta da conjuntura política do final dos anos vinte e início da década de 1830. Mais uma vez as elites estavam divididas. O corpo de tropas do exército e os recursos estatais se voltariam para a regulamentação dos conflitos intra-elite.
Parecia mais inteligente para o governo provincial manter o grosso dos seus contingentes no Recife, numa época em que tanto a sociedade dos Carpinteiros de São José ou Jardineira, de credo liberal, como a Coluna do Trono e do Altar, absolutista, agitavam intensamente no Recife e no interior. Um dos objetivos dessa agitação era justamente mobilizar parte do exército estacionado no Recife, o qual, tal como no resto do país, dividia-se entre soldados brasileiros e portugueses.
Por conta dessa divisão, o Comandante das Armas da Província sofreu uma ameaça de morte em outubro de 1829, o que o obrigou a colocar uma tropa de 30 homens em frente à sua casa.
Essa situação agravou-se com a eclosão da revolta de Pinto Madeira no sertão, em novembro de 1829, a qual pregava o absolutismo. A nomeação de um novo Presidente da Província e outro Comandante das Armas não resolveu a situação caótica dos aparelhos repressivos estacionados na capital. Muito pelo contrário, em julho de 1830, reconhecia o novo Comandante que havia em Pernambuco oficiais absolutistas, liberais constitucionais e até republicanos. A agitação permanecia num momento em que se iniciava a desmobilização da tropa que lutou na Cisplatina, colocando nas ruas do Recife um grande contingente de ex-soldados desempregados. No interior, as elites cindidas novamente, desde as eleições de fevereiro de 1829, reiniciaram a velha prática dos assassinatos como estratégia política.
Para agravar a situação, os documentos das autoridades do interior estão cheios de casos de conflitos de jurisdição entre juízes de paz recém eleitos, antigos capitães mores e comandantes de milícias locais.
Em janeiro de 1830, Araújo Lima, o futuro marquês de Olinda, visitou o engenho de sua família em Pernambuco e lamentou o estado de anarquia e agitação na zona da mata. Nada menos que 13 assassinatos de cunho político haviam sido cometidos num curto espaço de tempo (Carvalho, 1989).
O quilombo voltou então a engrossar. Em 1830 os quilombolas já estavam fortes novamente e atacaram três homens armados que caçavam nas florestas do engenho Monjope, um dos quais foi morto. Por essa razão, um importante proprietário da região escreveu ao governo solicitando ajuda para o pagamento do soldo da tropa que mobilizou para bater as matas. Em suas investigações descobriu um importante contato dos quilombolas, o cigano Genoíno Dantas.

Dantas fora acusado de contrabandear armas do exército para os quilombolas, e a acusação foi confirmada quando um juiz de paz apreendeu uma daquelas armas com um outro cigano. Posteriormente esse indivíduo escreveu para o mesmo juiz de paz solicitando a devolução da arma. Em sua carta alegava que a havia comprado a Genoíno Dantas, que teria outras a venda pelo preço de 5 “pesetas”. Dantas também foi acusado de não devolver os escravos fugidos que capturava, e de ter vendido ao menos dez deles.
Nos meses que se seguiram, as diligências contra os quilombolas limitaram-se àquelas executadas pelo senhor do engenho Timbó, um dos juizes de paz da região. Essas excursões nem sempre foram bem sucedidas.
Era comum as tropas voltarem das matas sem terem encontrado ninguém. Outras vezes os quilombolas atacaram em pequenos grupos com armas de fogo, fugindo logo em seguida. Um desses grupos foi encontrado por 6 vaqueiros que procuravam por uma vaca desaparecida do curral do engenho Monjope.
APEPE (1830a). s.d.: Amador Queiroz para Francisco Antônio de Souza Leão.
Os quilombolas retribuíram os tiros e fugiram, deixando farinha de mandioca que, como já foi dito, o juiz de paz acreditava ter sido dada pelos próprios escravos daquele engenho. Por essa razão mais uma patrulha de 20 homens entrou na mata.
Só que para surpresa das autoridades, os quilombolas enganaram essa patrulha e aproveitaram-se da situação para roubar mais farinha ainda do engenho Monjope (APEPE, 1830a).
Três meses depois, um “criolo” contou para as autoridades que encontrou 17 escravos na estrada que lhe perguntaram onde ficava o Catucá.
Essa passagem ilustra a naturalidade com que se repassavam informações de fuga. Mas as autoridades também souberam do ocorrido e mandaram uma tropa de 20 homens para pegá-los antes que alcançassem o Catucá.
Os fugitivos não se renderam. No combate 4 deles foram mortos, 8 recapturados, e 5 ganharam a liberdade das matas (APEPE, 1830a).
Dois meses depois os quilombolas voltaram a atacar engenhos. Também não respeitaram a riqueza e poder de homens como Domingos de Aguiar Malaquias Pires Ferreira, Barão de Cimbres, que, como foi dito acima, foi assaltado por um grupo de quilombolas que incluia mulheres e pelo menos um “branco” (APEPE, 1830a).
A difícil conjuntura do começo dos anos trinta dificultava o aparelhamento de mais uma diligência como a de meados de 1829.
E a bravura dos quilombolas era tal que mesmo os recapturados por vezes negavam-se a dizer os nomes dos seus proprietários legais, apesar dos castigos infligidos (APEPE, 1829d; 1830a).
O constante renascimento do quilombo demonstrava que só a força não seria suficiente para destruí-lo. Isso levou o governo a mudar de estratégia. Ao menos desde 1826, sabia a classe senhorial que era preciso abrir as matas para que elas não mais servissem de esconderijo (APEPE, 1826c).
No final da década de 1820 várias sugestões foram feitas nesse sentido. Uma delas previa a criação de quatro povoações nos arredores das matas e a abertura de mais estradas através da floresta.
Um grande passo nesse sentido foi dado com a criação da colônia Amélia entre o final de 1829 e meados de 1831.
A colônia Amélia começou com um grupo de 103 imigrantes de origem Germânica que pretendiam ir para o sul, mas que tiveram que fazer uma arribada forçada na costa nordestina e terminaram tendo que se instalar em Recife. O governo pernambucano então ofereceu para eles terras na floresta do quilombo. A esse grupo juntaram-se mais 54 mercenários alemães, que foram desmobilizados por Pedro I depois do fiasco da guerra da Cisplatina. Posteriormente, mais outros cinqüenta mercenários, também desmobilizados, juntaram-se à colônia. Com suas famílias, eles somavam algo em torno de 750 pessoas em fins de 183120.
APEPE (1826c) Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, 1829.
Para ajudar a implantação da colônia, o governo provincial pagou por algum tempo um subsídio de 160 réis diários por cada adulto e 120 por cada criança. Também colocaram um engenheiro militar alemão, radicado em Pernambuco, para chefiar a colônia.
As autoridades acreditavam que os quilombolas não conseguiriam mais se firmar frente à força dos mercenários alemães. Em que pese alguma retórica em favor da importação de trabalhadores livres para a agricultura, as fontes deixam claro que o fim do quilombo era o principal objetivo da fundação da colônia Amélia. Não é exagero dizer que os colonos foram ludibriados pelo governo local, que deu a eles terras que precisavam ser arrancadas dos quilombolas.
Quilombolas e colonos parecem ter sofrido duramente. Em setembro de 1830, os imigrantes requisitaram a continuação do pagamento do subsídio ante as dificuldades encontradas (APEPE, 1830b). Ao menos uma das famílias, os Cristiani, tiveram pessoas mortas pelos rebeldes negros. Os colonos queimaram, contudo, grande parte da floresta para fazer carvão, que terminou sendo o seu principal meio de vida. Grande parte da floresta assim desapareceu, e isso em muito dificultaria a formação de quilombos no Catucá.
Apesar disso, a colônia também não foi bem sucedida. O seu desaparecimento coincide com o período da destruição final do quilombo. Os colonos alemães foram fundamentais para a repressão aos quilombolas, mas sofreram tanto que terminaram deixando Pernambuco.
A presença dos colonos alemães no Catucá em parte explica a menor presença de quilombolas no correr da primeira metade da década de 1830, comparado com o quinquênio anterior. A Cabanada (1832-1835),contudo, obrigou o Estado a concentrar todos os seus recursos em combates ao sul da província. E a falta de confiabilidade da tropa do Recife levou o governo a trazer parte dos mercenários do Catucá para ocuparem uma importante fortaleza no Recife, durante os distúrbios de
APEPE (1829a) “Correspondência Oficial,” 01/12/1831, in Diário de Pernambuco (1831). Diário de Pernambuco (1829).
APEPE (1829a) Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, estante A, gaveta 12, 01/12/1829. Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, Ministério do Império, IJJ9 249,14/12/1829.
APEPE (1848). Diário da Administração Pública de Pernambuco (1833). Costa (1985: 313-316).
1831 e 1832 (Costa, 1985:315). Embora timidamente, o quilombo então
voltou a se reunir.
Em 1831,14 escravos do engenho de João Viera da Cunha (um futuro líder praieiro) se recolheram ao Catucá. Roubos e mortes voltaram a acontecer (APEPE, 1831). No ano seguinte, na jurisdição do juiz de paz de Goiana, continuavam a “latrocinar, depredar e até seduzindo e desencaminhando a escravatura das fazendas desse termo” (APEPE, 1832b).
Próximo a Igarassu, os “pretos aquilombados” continuavam a furtar nas estradas (APEPE, 1832b). O mesmo ocorria nos limites da floresta com o Recife, na freguesia de Beberibe, onde os quilombolas atacavam até residências (APEPE, 1832b).
Mas a repressão senhorial logo se fez presente. Se no correr da primeira metade dos anos trinta faltaram grandes expedições punitivas como as dos anos vinte, a ação dos senhores de engenho contra os quilombolas foi constante. Na nova organização judiciária do código de 1830, a justiça de paz foi encarregada de reprimir os quilombos. A criação dos cargos na guarda nacional e justiça de paz foi importante na medida em que armas foram distribuídas pelo Estado para as diligências contra o quilombo do Catucá (APEPE, 1832a; 1832b).
Mesmo com essa mais eficiente organização da justiça senhorial, em torno de 1835, os quilombolas voltariam a ser um dos principais problemas para a classe senhorial da província. No começo daquele ano, atacaram o engenho Mussupinho além de fazerem vários assaltos (APEPE, 1835a).
Um juiz de paz juntou 39 homens e bateu as matas. Encontrou muitos poços e estrepes, e depois de muito andar achou um “palmar”, “forte pela situação em que estava colocado”. Quando se preparava para atacar foi surpreendido pelo vivo fogo dos quilombolas.
O juiz de paz teve 5 de seus homens feridos e “muitos estrepados”. Os quilombolas novamente tinham um líder reconhecido como tal, o já mencionado João Batista, o “famoso Batista”, que fora ferido durante um dos combates de que participara (APEPE, 1835a).
Pelo menos mais três diligências de pequena escala foram feitas contra os malunguinhos na primeira metade de 1835 (APEPE, 1835a).
Essas operações não foram suficientes para debelar o quilombo. Logo os senhores da região começaram a aumentar o número de requisições de ajuda do governo provincial. Em maio, por pouco os rebeldes não apreenderam um dos carregamentos de armas enviado pelo governo provincial para ajudar na destruição do quilombo (APEPE, 1835a).
Uma tropa de 100 homens entrou na mata para capturar Batista e seus seguidores. De acordo com o depoimento de um forro que estivera com os quilombolas, eles não eram muitos mas estavam bem armados e municiados (APEPE, 1835a).
Em julho e agosto, Batista continuava em atividade. A intensa mobilidade de seus homens os salvou em várias ocasiões. Tanto atacavam perto do Recife como nas imediações de Igarassú e Goiana, mais ao norte. Segundo as autoridades, a população branca do lugar andava assustada com a crescente atividade dos quilombolas (APEPE, 1835a; 1835b).
A sorte de João Batista foi selada, entretanto, pelo fim da Cabanada. Em setembro de 1835, o governo provincial contava com um grande contingente de guardas nacionais e soldados de primeira linha treinados em duras batalhas nas matas do sul da província.
Contava ainda com os índios de Barreiros que colaboraram na repressão aos cabanos. Foi então organizada uma grande operação. A presença dos índios, exímios batedores, foi fundamental para o seu sucesso.
A morte de João Batista e a captura de seu filho e sucessor marcou o fim do quilombo do Catucá. De acordo com o Chefe de Polícia da Província, apenas 10 pessoas escaparam.
No final de 1836, e em 1837, mais duas diligências de menor envergadura foram feitas contra os negros do Catucá (Costa,1985:288).
Pode-se dizer que, por muitos anos, as matas ainda serviriam de esconderijo para fugitivos da justiça, ou da escravidão, mas o quilombo como tal parece ter desaparecido com a morte de seu último grande líder, João Batista.

O que se pode dizer da estrutura interna do quilombo?
Estando muito próximos do Recife, os quilombolas não poderiam nunca isolar-se completamente do mundo do homem branco. A bem da verdade, fica difícil entender a sua existência sem referência as divisões políticas das elites em 1817,1821 -22,1824 e 1831-35, que levaram o Estado a deixar um pouco de lado a repressão aos escravos.
Assim, o Quilombo cresceu nos momentos de divisão das elites e foi duramente
combatido quando ela estava unida. Por conta da tumultuada política senhorial entre 1817 e 1824, o quilombo atingiu em meados dos anos vinte um alto grau de complexidade.
Isso é indicado não só pelo temor do Conselho de Governo de uma invasão ao Recife, mas também pelo fato de terem sido encontradas várias casas, lavouras e choupanas no meio da mata. Um outro dado importante apontando nessa direção foi o grande número de soldados feridos em estrepes e armadilhas, que exigiam muito trabalho e destreza para serem construídas com eficiência. Nesse período, o prêmio oferecido pela cabeça do Chefe Malunguinho, e a menção explícita de um outro líder por nome Manoel Gabão indicam uma possível predominância de africanos no quilombo.
Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, Ministério do Império, IJJ9 251, 12/09/1835.
APEPE (1835b) Lisboa (1835): A Quotidiana Fidedigna (1835).
Com o aumento do número de diligências, o quilombo definhou. Contudo, os quilombolas puderam se beneficiar das contradições sociais, e do caos político desde 1817 até o final da Cabanada, para elaborarem suas estratégias de sobrevivência. Os mais fracos foram os mais atingidos pela violência urbana e rural do começo dos anos vinte e trinta.
Cedo, a pobreza tornou-se um laço significativo entre homens de diferentes nuanças raciais. Libertos e mesmo “brancos” (nos limites do que foi dito acima) foram encontrados entre os rebeldes. Os roubos se sucediam, bem como o comércio tendo outros párias do mundo do branco como intermediários, como foi o caso do cigano Genoíno Dantas.
O último líder maior, João Batista, não tinha um nome africano. O quilombo diversificara-se. Se é fato que o Catucá pode ter-se originado de uma fuga de malungos, posteriormente outros cativos e oprimidos em geral se uniram aos malungos originais.
Em que pese a essência africana do quilombo, ele então deixou de ser puramente uma tentativa de reprodução de sociedades africanas e tornou-se um fenômeno afro-americano, híbrido, uma linha de combate contra o status quo, que envolvia escravos e libertos, de diferentes procedências e histórias de vida.
Se levarmos em conta também a mobilidade do grupo comandado por João Pataca, e sua presença nas vilas e senzalas dos engenhos, podemos fazer mais algumas inferências. A primeira é que mesmo com o passar do tempo e a diversificação do quilombo, a religiosidade africana continuou sendo o mais importante referencial cultural dos quilombolas, além de um liame fundamental entre os fugitivos aquilombados e a população negra da área, seja livre, liberta ou mesmo escrava.
Uma segunda inferência é a confirmação que, em alguns momentos, os brancos não eram fortes o suficiente para destruírem os quilombo, daí então surgia um modus vivendi que uma ocasião permitiu a Pataca exercer o ofício de fato, senão de Direito, de juiz de paz.
Contudo as condições de possibilidade de existência do quilombo, como sociedade mais ou menos estável, eram a relativa intransitabilidade das matas pelo homem branco e a desunião entre as elites.
O desmatamento feito pelos colonos alemães abriu os esconderijos para as tropas que viriam perseguir os quilombolas no final dos anos trinta. A Cabanada (1832-35) deu novo alento ao quilombo.
Uma sedentarização permanente talvez não fosse mais possível mas, conforme se viu acima, durante a estação das chuvas, os quilombolas se estabeleciam em “palmares limpos”.
O fato do filho de João Batista ter-se tornado líder também indica uma certa estabilidade na hierarquia de comando: o filho sucedendo ao pai. Mas depois da Cabanada a elite não mais brigaria entre si até meados da década seguinte, estourando a Praieira em 48. A tropa que combateu os cabanos foi colocada contra os quilombolas. A área foi cercada mais uma vez e os rebeldes caçados sem trégua.
Depois disso tudo Malunguinho entrou na memória de Pernambuco.
Zumbi, o líder dos Palmares, é até hoje o nome de um local no Recife por onde passa a avenida Caxangá. No final do século dezenove, Pereira da Costa notou que Malunguinho e Catucá eram os nomes de dois locais no subúrbio de Afogados, em Recife (Costa, 1985:289).

Em 1849, depois da eliminação do quilombo, os radicais liberais pernambucanos, liderados por Borges da Fonseca, se aliaram aos praieiros numa revolta contra o governo provincial. O nome escolhido por Borges para o pasquim da insurreição, que chamou de “revolução de novembro”, era “O Catucá”. Uma homenagem póstuma a bravura dos malunguinhos da floresta da Cova da Onça.
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Posted 23/10/2010 by Juremeiro Neto




Nascimento do Catimbo
Nascimento da Jurema Sagrada – Catimbó


Tudo dentro da Jurema Sagrada – Catimbó, temos que estudar o início de onde surgiu a religiosidade do afro – ameríndios.
Surgimento do Catimbó
Ela é concreta, verdadeira tem base na História da Humanidade.
Tudo se deu início na Pré-História quando o homem teve necessidades do fogo, vamos ver que a Jurema Sagrada Catimbó, nasceu em 1532 e a sua origem foi junto com o homem.
A Jurema Sagrada é o culto da Natureza, e a harmonia do homem, natureza, e os encantados, no ato da morte se encantam na natureza, e ou em animais, ou que em vida foi consagrado por um Pajé e ou um Mestre Juremeiro, e união dos costumes católicos.
Veja Bem Xamanismo, Pajelança e Jurema Sagrada Catimbó, são coisas totalmente diferentes, derivações.
Da Pré-História com o xamãs, algum grupo ficou totalmente isolado e esse passou a se chamar nativos, no Brasil de índios estes cultuo a Pajelança, em 1532 a 1536 onde se deu início a colonização Brasileira, nasceu ai a Jurema Sagrada.
Veja a Jurema Sagrada Nasceu em 1532 a 1536 a Umbanda foi em 15 de novembro de 1908, Zélio de Moraes com o seu guia Caboclo da Sete Encruzilhada.
E a Quimbanda veio do povo de Malei sendo o seu os três Anjos Rei Astaroth ou Exú Rei das sete Encruzilhadas Astaroth junto com ele veio seis anjos ao total sete anos banidos do Céu o principal anjo sendo Lúcifer, na mesma época, da Umbanda nasceu a Quimbanda.
A Jurema Sagrada Catimbó não e a mesma coisa do que a Umbanda, os Mestres e encantados vão à Umbanda mais são tirado deles no ato da incorporação a Ciência da Jurema.
“Na Jurema Sagrada não tem a existência de Exu, Pomba Gira, e pouco menos de Orixá, somente na encantaria do Tambor de Mina tem o elo dos encantados e o Orixá tal como o mestre Chiquinho do Maranhão louva em seu lírio a Oxum.” ….. Minha Mãe Oxum sua bandeira e forte, meus inimigos eu arrebento e no chicote…”
Vamos voltar a uma breve recordação dos nossos Descendentes.
(Pesquisa são informações adicionais do Juremeiro Neto).

Como ocorreu a descoberta do Fogo na Pré-História?

De acordo com os Historiadores e Arqueólogos o domínio da produção do fogo foi um dos principais avanços da humanidade, colaborando para o desenvolvimento da raça humana.
Na época anterior a descoberta da produção do fogo, os seres humanos tinham que esperar um raio cair em uma árvore ou um incêndio numa floresta.
O homem ficava totalmente dependendo do acaso para conseguir este precioso bem. Com o desenvolvimento da inteligência, através da observação, o homem conseguiu produzir o fogo. Este processo ocorria de duas formas:
1) Batendo uma pedra na outra e produzindo faísca que atingia palha;
2) Friccionando graveto seco numa madeira até produzir a faísca, atingindo a palha. Com a produção do fogo, o homem pré-histórico garantiu um grande avanço, pois podia iluminar a caverna, cozinhar a carne, espantar os animais selvagens e garantir o aquecimento nas épocas de frio.
O que é Xamanismo?

Fonte: http://www.xamanismo.com.br
Atualmente quando a maioria das pessoas ouve a palavra xamanismo pensam em culturas indígenas americanas, outros reclamam por que não pajelança se está no Brasil.
Sempre considerado como um programa de índio.
O xamanismo não se refere apenas à espiritualidade indígena.
São certo que os indígenas foram, os grandes responsáveis por manterem acessas as chamas da Medicina da Terra mas as práticas se originaram no homem primitivo, no paleolítico.
A palavra tem origem siberiana e não americana e é usada hoje como uma forma única para descrever as práticas no mundo todo.
Ou seja, as práticas são universais, é um legado do Mundo Espiritual para a Humanidade. Não pode haver fronteiras.
A palavra xamanismo foi criada por antropólogos (ver em xamã) para definir um conjunto de crenças ancestrais.
Para mim é um caminho de conhecimento. Nós podemos perceber traços do xamanismo em várias religiões.
As raízes do xamanismo são arcaicas e alguns antropólogos chegam a pensar que elas recuam até quase tão longe quanto à própria consciência humana.
As origens do xamanismo datam de 40.000 a 50.000 anos, na Idade da Pedra.
Antes de 1500

A tese mais aceita é que os povos indígenas das Américas são descendentes de caçadores asiáticos que cruzaram o passando da Sibéria para a América do Norte.
Os mais antigos povoadores do atual território brasileiro chegaram há aproximadamente 12 mil anos. Contudo, foi encontrado em Lagoa Santa (Minas Gerais) o crânio de uma mulher de traços negroides, batizada de Luzia, que viveu há 11.500 anos.
Deste modo, alguns pesquisadores consideram provável que populações negroides também tenham vivido nas Américas, e que estas foram exterminadas ou assimiladas pelos povos mongoloides muitos séculos antes da chegada dos europeus.
Pajelança
Fone: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pajelança
Ritual místico realizado por um pajé indígena, com o objetivo de curar, prever o futuro, etc.
Podemos dizer que a pajelança é uma forma de benzedura.
É provável que a palavra Pajé venha da raiz pa-y = profeta, adivinho, curador, sacerdote, xamã.
O termo pajelança é aplicado nas manifestações xamânicas dos índios brasileiros. Pode ser divido em pajelança indígena (rituais indígenas) e pajelança cabocla, que são praticas religiosas (não indígenas) mais comuns no Norte e Nordeste brasileiro.
Afinal…Quem são os Pajés ?

Existe muito pouca coisa publicada no Brasil sobre este fascinante assunto.
Uma contribuição preciosa foi o depoimento do estudioso dos mistérios amazonenses, Antonio Jorge Thor. Thor comenta o xamanismo e a pajelança :
“Um aspecto curioso deste assunto é que nos Estados Unidos, quando se fala em Xamanismo, muitas linhagens dos Xamãs são mulheres.
No Brasil não, aqui Pajé é sempre somente do sexo masculino – primeira geração, que passa de pai para filho.
Para ser um Pajé, o candidato deve ser um paranormal e médium ao mesmo tempo. Ou seja, deve ter muitas força mental (para normalidade) e a mediunidade, que mexe com a bioenergética, com as partículas bio cósmicas (provocam a expansão da consciência fora da matéria, o espírito por exemplo), enfim aquela coisa da espiritualidade.
Entre as diversas tribos, como os Kraôs, caiapós e gaviões, Tupis, Tupinambás, varia muito o conceito de pajelança, mas eles têm alguma coisa em comum:
O Misticismo e o Segredo.
Você às vezes passa um longo tempo para conseguir uma informação, um segredo, como por exemplo, sobre um não-alucinógeno para você sair com facilidade do corpo (desdobramento) .
O pajé penetra na área da encantaria, outra vertente da grande magia que pouca gente conhece, que é passar para outra dimensão e muitos dele quando retornam dessa experiência, voltam curados.
A pajelança é uma forma de magia nativa da Amazônia, tipicamente indutiva, atuando sobre qualquer elemento vivo e mantendo estreita relação com os demais reinos da natureza: mineral, vegetal e animal.
É praticada por curandeiros (principalmente pelos pajés da Amazônia), com base no xamanismo indígena .
Pelas suas ações, o xamã tenta estabelecer contato com outras formas de existência através de comunicações com entidades sobrenaturais, procurando restabelecer o equilíbrio perdido entre a natureza e a mente. Esse processo envolve curas, exorcismos, e outros atos com objetivos diversos.
Continua lendo na fonte: (http://www.xamanismo.com.br/Teia/SubTeia1192186946)
Pajelança Indígena
PAJELANÇA (do Tupi pajé, curador, sacerdote, xamã) é um termo genérico aplicado às diversas manifestações do xamanismo dos povos indígenas Brasileiros. Refere-se aos rituais nos quais um especialista entra em contato com entidades não-humanas (espíritos de mortos, de animais etc.) com o fim de resolver problemas que acometem pessoas ou coletividades.
Pajelança Cabocla
Ou A Jurema de Caboclo que é o Primeiro Reinado da Jurema Sagrada que nasceu dentro da aldeia dos Índios Tupinambás, é a Jurema onde eu sou Consagrado. Dai o surgimento de mais 11 reinados que faz ao todo 12 Reinos.
A pajelança cabocla (também chamada de cura, linha de pena e maracá, linha de sacaca e diversos outros nomes) é uma manifestação religiosa não-indígena, difundida pela Amazônia e parte do Nordeste do Brasil (Maranhão e Piauí).
Combina elementos do catolicismo popular, das culturas indígenas, do Tambor de Mina e da Encantaria, da medicina rústica e de outros componentes da cultura e da religiosidade popular. Caracteriza-se, entre outros aspectos, pela ênfase no tratamento de doenças e aflições, por um transe de possessão característico, com “passagem” de diversas entidades espirituais em uma mesma sessão, e pela presença de certas práticas como o uso de tabaco e outras substâncias para defumação.
Esses elementos associam a pajelança cabocla a outras manifestações religiosas populares encontradas no Norte e no Nordeste brasileiros, como o Catimbó/Jurema, o Tore e o Candomblé de Caboclo.
A Jurema é encontrada no Amazonas, Nordeste, uma religião autóctone, que foi gerada por elementos exclusivamente ameríndios.
As curas e rituais são realizados pelo PAJÉ, equivalente do Shaman norte americano, com danças, cantos, e o instrumento sagrado, o MARACÁ, um chocalho e o uso de alcalóides vegetais, que possibilitam o transe.
Cada região tem entidades distintas que são invocadas, porém sempre são espíritos da natureza, de animais ou de antepassados mortos. No Piauí, a Encanteira mescla a pajelança amazônica com o catolicismo popular.
No século XVI
O território nacional não foi imediatamente ocupado pelos europeus a partir do Descobrimento do Brasil em 1500.
A colonização começou somente a partir de 1532. Antes disso, havia apenas feitorias nas quais o pau-brasil era armazenado esperando os navios que vinham da Metrópole.
Apenas alguns degredados, desertores e náufragos haviam se estabelecido em definitivo no Brasil, vivendo e se miscigenando com as tribos indígenas.
Ao contrário do que muitos pensam, os primeiros colonos não foram só ladrões, assassinos ou prostitutas mandados para o Brasil.
A maioria era composta por camponeses pobres, agregados de um pequeno nobre que vinha estabelecer engenhos e plantações de cana-de-açúcar no Brasil. Apenas alguns poucos eram “criminosos”, em geral pessoas perseguidas pela Igreja por sua “falta de moral” ou por cometerem pequenos delitos: judeus, cristãos-novos, bígamos, sodomitas, padres sedutores, feiticeiras, visionárias, blasfemadores, impostores de todas as espécies.
O território nacional não foi imediatamente ocupado pelos europeus a partir do Descobrimento do Brasil em 1500.
A colonização começou somente a partir de 1532. Antes disso, havia apenas feitorias nas quais o pau-brasil era armazenado esperando os navios que vinham da Metrópole.
Apenas alguns degredados, desertores e náufragos haviam se estabelecido em definitivo no Brasil, vivendo e se miscigenando com as tribos indígenas.
Ao contrário do que muitos pensam, os primeiros colonos não foram só ladrões, assassinos ou prostitutas mandados para o Brasil.
A maioria era composta por camponeses pobres, agregados de um pequeno nobre que vinha estabelecer engenhos e plantações de cana-de-açúcar no Brasil.
Apenas alguns poucos eram “criminosos”, em geral pessoas perseguidas pela Igreja por sua “falta de moral” ou por cometerem pequenos delitos: judeus, cristãos-novos, bígamos, sodomitas, padres sedutores, feiticeiras, visionárias, blasfemadores, impostores de todas as espécies.
O índio brasileiro não suportava a escravidão.
Acostumado a viver durante milênios a um meio de vida livre, nômade, a mortalidade indígena no meio escravocrata era muito alta.
O índio brasileiro se negava a trabalhar para o colonizador: muitos fugiam ou se suicidavam.
A situação caótica obrigou os colonos a importar mão-de-obra do continente africano.
É a partir da década de 1550 que começou a aportar na colônia os primeiros navios com escravos da África. Além de resolver o problema da mão-de-obra (faltavam índios e portugueses), o tráfico negreiro era muito rentável.
No século XVI desembarcaram no Brasil em torno de 50 mil portugueses e 50 mil africanos
Século XVII
O desenvolvimento da cultura de cana-de-açúcar faz crescer o número de escravos africanos desembarcados na colônia, vindos sobretudo de Angola e da Costa da Mina para o litoral do Nordeste.
A imigração portuguesa continuou reduzida. Portugal não tinha população suficiente para mandar grandes números de colonos para o Brasil.
A população se concentra nos litorais nordestino e Sudestino. O resto do País segue ocupado apenas pelos índios.
No século XVII desembarcaram 550 mil africanos e 50 mil portugueses.
Século XVIII
O desenvolvimento da mineração trouxe para o Brasil centenas de milhares de africanos, que foram escravizados na extração de ouro.
Um fato novo foi, pela primeira vez na História da colônia, a vinda de um enorme contingente de colonos portugueses.
Tal surto migratório deve-se a alguns fatores: Portugal e, em particular, a região do Minho, teve uma alta taxa de crescimento populacional e, em conseqüência, superpopulação. As notícias de que na colônia sul-americana estava ocorrendo à exploração da mineração serviu como esperança para milhares de portugueses que resolveram cruzar o Oceano Atlântico e se aventurar nas Minas Gerais.
A imigração de casais açorianos para o litoral do Sul do Brasil foi de fundamental importância para a demografia da região.
No século XVIII desembarcaram um milhão e 600 mil africanos e 600 mil portugueses no Brasil.
O Brasil passou a possuir a maior população africana fora da África e a maior população lusitana fora de Portugal.
O que é Jurema?

Jurema é uma arvore da família das Acácias tem a Jurema-preta, e Jurema-branca, Jurema-Mimosa.
Mimosa Hostilis da família da Acácia, é nativa do nordeste Brasileiro e recebe o nome popular de “Jurema”.
As Acácias sempre foram consideradas plantas sagradas por diferentes povos e culturas de todo o mundo:
Os Egípcios e Hebreus veneravam a “Acácia nilótica“ (Sant Shittim); Os Hindus, a “Acácia suma” (Sami);
Os Árabes, a “Acácia arábica” (Al-uzzah); Os povos indígenas do oeste da América do sul veneravam a “Acácia cebil“ (vilca);
E os índios Brasileiros principalmente do Norte e Nordeste cultuam a “Jurema Preta” (Mimosa hostilis),
Jurema Angico (Acácia cebil) da América do Sul ,Jurema do Egito (Acácia nilotica) “Acácia suma” (Sami), da Índia
“Jurema Preta” (Mimosa Hostilis), Brasil / Norte e Nordeste
Sempre associamos Xamanismo aos povos indígenas das poucas regiões do planeta nas quais ainda existem. Isso sem dúvida é correto, mas, na verdade, o que se passou a denominar como Xamanismo é a capacidade natural humana de entrar em contato com outras realidades, outros reinos de consciência como, por exemplo, a consciência das plantas, dos animais e das forças da natureza.
Xamanismo é o conjunto mais antigo de praticas e técnicas para se entrar em contato com o mundo espiritual e tem sua origem no Período Paleolítico.
Sua principal característica é a semelhança existente na essência das práticas de povos muito distantes entre si, muitas vezes separados por continentes e oceanos como, por exemplo, s Esquimós e nossos irmãos indígenas aqui do Brasil.
No processo de “Evangelização” imposto aos indígenas Brasileiros pelos Jesuítas, a figura do Messias Civilizador Yurupari não foi transformada em decalque do “Cristo”, mas sim aproximada ao “Diabo” dos Católicos, embora os Jesuítas tenham adotado pessoalmente a sua erva sagrada “Petun” (Tabaco), o qual era usado para provocar transe mediúnico nos Xamãs indígenas (Pajés), transformando o uso dessa “erva sagrada” em um vício profano que, ao longo do tempo, tornou-se uma praga social universal.
A RAIZ RELIGIOSA AMERÍNDIA
Nascimento da Jurema Sagrada – Catimbó
Os índios, com os primeiros aportes isolados da religiosidade e dos negros Bantos, quase sempre escravos fugitivos que encontraram guarida e proteção na Pajelança e no culto dos Encantados, que esboçaram o Culto da Jurema Sagrada, no qual, agora, as cerimônias perdiam o sentido de função social da coletividade para transformarem-se em cultos individuais de satisfação de necessidades pessoais quer de Índios, Negros ou Mestiços, ainda que de natureza espiritual, curativa ou de ligação com os antepassados de todas as etnias.
Os escravos fugitivos se escondiam na Mata, muitas vezes em aldeias indígenas
Rei Malunguinho, origem Banto, que quer dizer amigo ou companheiro dos líderes Quilombolas Malunguinho, cujo último líder destes Quilombos foi morto em combate nas Matas do Catucá (Quilombo que se estendia desde as matas de Beberibe, na divisa Recife com Olinda até Goiana), em setembro de 1835.
Os negros Bantos e Congoleses aceitaram esta nova concepção religiosa, sobretudo, em termos de “culto aos mortos“.
As variações, miscigenados Indígenas – cristãos – africanos, tais como o “Tore”, o “Tambor de Minas”, o “Babassuê” e o “Batuque”. Os colonos Brancos assimilaram as soluções indígenas que, na prática, provavam ser eficientes nesta nova terra: trocaram o trigo pela mandioca, o leito pela rede, o vinho pelo cauim; aprenderam a fumar e começaram a gostar dos frutos e das filhas desta terra, iniciando a primeira miscigenação racial deste país, gerando filhos mestiços que foram muito apreciados como elos das alianças com as tribos indígenas, alianças estas que os colonos precisavam estabelecer para sobreviver aos ataques das tribos de nações indígenas inimigas.
E os Branco com Negro surgiu assim o Mulato (Vem de Mula) não carrega o nome do Pai Branco. Da fusão destes novos cultos de Caboclos e Encantados com os primeiros aportes isolados da religiosidade dos negros Bantos, foi que se esboçou o segundo sincretismo religioso brasileiro – o Culto do Catimbó Jurema.
O Catimbó Jurema é uma União de Raças
Jurema Sagrada como tradição “mágica” religiosa ainda é um assunto pouco estudado.
É uma tradição nordestina que, em suas múltiplas formas atuais, revela influências as mais variadas, e que vão desde a feitiçaria Européia até a Pajelança indígena, passando pelas religiões Africanas, pelo Catolicismo popular, e até mesmo pelo Esoterismo moderno e pelo cristianismo esotérico, além de, em certos casos, estabelecer a diferença principal entre as práticas de umbanda e do catimbó, A Jurema já era cultuada na antiguidade por pelo menos dois grandes grupos indígenas, o dos Tupis e o dos Cariris também chamados de Tapuias.
Os Tupis se dividiam em Tabajaras e Potiguares, que eram inimigos entre si.
Na época da fundação da Paraíba, os Tabajaras formavam um grupo de aproximadamente cinco mil índios. Eles ocupavam o litoral e fundaram as aldeias “Alhandra e a de Taquara”.
Tudo teria começado com a índia Maria Gonçalves de Barros, conhecida por Maria índia, que teria recebido do Imperador Dom Pedro II as terras do Açaís, em Alhandra PB, onde teria assentado moradia.
Maria Índia teria dado inicio a primeira casa de Catimbó oficial no Brasil, usando da Jurema Sagrada para curar os mais variados males.
Como Maria Índia não teve filhos, a sua sobrinha, Maria Eugênia Gonçalves Guimarães, recebeu a herança da tia, e logo ficaria famosa como sendo a “Madrinha Mestra” Maria do Açaís, passando a manifestar com a Tia Maria Índia e o Mestre Zé Pelintra que e o Mestre considerado Padrinho da Jurema o Rei do Catimbó, Lembrando que ele não é um Exu e sim mestre na Jurema.
No Catimbó, não tem Exu e não se cultua o Orixá.
• A Jurema Sagrada era denominada originalmente de CAATIMBÓ (Fumaça do Cachimbo).
• Hoje em dia, não se usa, pois, o termo foi deturpado, e é generalizado como Feitiçaria e Bruxaria de Malefício, que se originam dos mestiços da Caatinga “Catingueiros” São Sagrados para Os Juremeiros ou Catimbozeiros:
• O chão, Os Rios, Os Lagos, As Fontes de Águas, As Matas, Os Animais, As Chuvas, O Vento, O Mar, O Ar que respira, Os Alimentos que ingere, Os Antepassados e as pessoas Vivas
Os Mestres e Mestras São espíritos dos antepassados, pessoas que quando vivas cultuavam a Jurema e que depois de passar, trabalham nas sessões de jurema.
Os Mestres e as Mestras vêem em diversas linhas ou chamadas, as principais são:
•Os Encantados São espíritos elementares ou sendo espíritos ligados à natureza que no momento da morte se encantaram em animais e plantas. Os Caboclos também são em geral Encantados.
•Os Príncipes São parecidos com os encantados, com a diferença de que estão ligados à natureza em si, mas não se encantaram em plantas nem animais e tem que ser virgens. Caboclos são os índios. Espíritos Mestiços são os Mestres e geralmente são todos oriundos do norte e nordeste do Brasil.
• Os Reis e Rainhas espíritos milenares que por sua antiguidade podem atuar nos fenômenos naturais em beneficio da humanidade, como Rei Salomão e Rei Malunguinho.
Obs.: Os mestres e as mestras são de dois tipos: os que trabalham na direita ou sendo os que executam trabalhos de construir, e os que trabalham na esquerda que são os responsáveis por destruir certas situações, não necessariamente o mal.
•Os Boiadeiros Espíritos sertanejos ligados ao interior do nordeste, havendo algumas exceções quanto a espíritos que vem de quatro outras regiões do pais, são ligados a vaquejar gado. Dai tem os Tangerinos e Vaqueiro abaixo nesse site tenho falado deles.
•Os Pajés espíritos de antigos indígenas das terras Brasileiras, que são responsáveis pela cura através das ervas e encantar os seus principais guerreiros e cacique no tronco da jurema após a sua morte (Caboclo Mestre). •Os pretos velhos antigos rezadores do Brasil de descendência africana.
Um Discípulo de Jurema passa por vários graus de desenvolvimento para se tornar um Padrinho Mestre, que é o grau máximo que um Juremeiros pode chegar, Os graus são os seguintes:
Os Caminhos dos Discípulos dentro da Jurema de Caboclo.
Na Cidade do Tronco da Jurema Sagrada Príncipe Rio Verde
Assim são os passos do Juremeiro na minha rama (Juremeiro Neto)
Reafirmo que as demais Reinos da Jurema Principalmente a do Acaio e muito respeitado e todos tinha que conhecer e o que tem mais adeptos.
(1º) Apontado. – Que toma banhos para entrar nas correntes;
(2º) Batizado. – Que recebe o batizado passando ser Juremeiro;
(3º) Firmar as Correntes – e Consagrado o Príncipe das correntes do Discípulos;
(4º) Consagração Caboclo da Direita das correntes;
(5º) Consagração do Mestre e ou Mestra da corrente o disciplino e Juremado, na minha rama a mesa de consagração e feito no Pé de Uma arvore consagrada e sagrada;
(6º) Consagração do Caboclo Esquerdeiro.
(7º) Consagração Mestre Esquerdeiro
(8º) Consagração do (todos os discípulos tem um caboclo: Boiadeiro /Tangerino/ Vaqueiro), Preto Velho, Cigano, Caboclo Mirim.
(9º) Consagração do Cruzeiro de Luz (Consagração do Rei / Rainha, Mestre ou Mestra do Cruzeiro de Luz.
Observação cada Renovação dentro da Jurema e de um ano para o outro sendo no total de nove anos.
CARGOS DENTRO DA JUREMA SAGRADA.

1 – Discípulos Apontado;
2 – Discípulos Batizado são os Juremeiros.
3 – Guardiões, são os que não tem incorporação não manifesta com os encantados, já nasce mestres passa a ser considerado mestre com os seus nove anos dentro da jurema sangrada.
- Guardião de Mesa
- Guardião de Sala
- Guardião do Peji
* As mulheres são as Guardiãs.
4 – Padrinhos de Jurema são os que consagrada os Discípulos.
5 – Mestres são os que tem a terceira geração de Juremeiros Consagrados.
JUREMA, MESTRE e CIÊNCIA…
A abertura da mesa é uma liturgia simples, mas significativa e bonita.
Lidamos com uma pratica ritual pouco elaborada de forma que algumas poucas coisas podem ser destacadas como de beleza própria.
Antigamente, os mestiços ficavam abaixados no meio dos Matos escondidos da policia. Se fossem flagrados, eram todos mortos ali mesmo, e não podiam ser enterrados nos cemitérios da cidades.
Enterrava-os no meio da caatinga, debaixo de um Pé de Jurema Preta.
Anterior ao Século XX, os Índios (Xamanista), Afro-ameríndios e mestiços, com o início do Afro-descendentes, eram analfabetos e perseguidos pela igreja e governantes como feiticeiros e bruxos.
Esse fato impossibilitou o não relato escrito de sua religião.
Por esse motivo, os conhecimentos da Jurema Sagrada – Catimbó vieram através dos espíritos dos Caboclos Mestres, e Mestres (as), mediante falas / verbalizações, o que chamamos de Ciência dada pelos Mestres.
Pesquisa e texto de Juremeiro Neto.62.81592112
Extremoz História
Extremoz é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Norte, pertencente à Região Metropolitana de Natal, microrregião de Natal, mesorregião do Leste Potiguar e ao Polo Costa das Dunas. De acordo com o IBGE, em 2010, sua população foi contada em 24 550 habitantes, sendo o vigésimo município mais populoso do estado. Localiza a norte de Natal (capital do estado), distante desta cerca de dezesseis quilômetros, tendo como principal atração turistica a Praia de Genipabu e suas dunas.

A cidade recebeu este nome pela sua localização geográfica ao norte da capital e tem uma área territorial de 126 km².

As terras que hoje formam o município de Extremoz, no passado tinham outros habitantes: os índios Tupis e Paiacus que viviam as margens da Lagoa de Guajirú atualmente conhecida como lagoa de Extremoz.
Em 1607, século XVII, o governo português na pessoa do seu capitão-mor Jerônimo de Albuquerque concedeu aos jesuítas a terra utilizada pela missão. Responsáveis pela catequese dos índios, os jesuítas estabeleceram a missão em Guajirú, construíram a igreja de São Miguel e a partir de então a sociedade tribal sofreu a influência de novos costumes alicerçados na doutrina cristã.
Em 1757, diante da invasão holandesa, os jesuítas foram expulsos e a aldeia que já abrigava cerca de 1429 pessoas foi elevada a condição de Vila. No dia 3 de maio de 1760 a vila passa a se chamar Vila Nova de Extremoz do Norte. Segundo o historiador Câmara Cascudo, Extremoz foi a primeira Vila da Capitania do Rio Grande do Norte.
Nessa época a vila era importante centro econômico da região com a criação de gado, antes da chegada do cultivo da cana-de-açúcar. Dessa época, os moradores preservam na memória coletiva lendas como a da cobra, a do carro caído, e a do tesouro enterrado nos alicerces da igreja. Diz a lenda que a população na tentativa de encontrá-lo, destruiu a igreja na qual hoje só se vê ruínas.
Entretanto em 18 de Agosto de 1885 a Lei Provincial n.º 321 incorporou a Vila de Nova Extremoz ao povoado de Boca da Mata, que recebeu a denominação de Vila de Ceará Mirim. Apenas em 4 de abril de 1963 Extremoz recuperou sua autonomia, tornando-se Município do Rio Grande do Norte.
Cultura
Ruínas da antiga Vila, capela de São Miguel e convento de Extremoz - tombado a 18 de Dezembro de 1990.
A Matriz de São Miguel foi considerada por Câmara Cascudo como a mais bela igreja colonial do estado erguida no barroco, tinha 16m de altura, 13,5m de largura, 30m de comprimento e paredes com 80 cm de largura. Servia de igreja residência dos jesuítas. Foi nessa igreja que o índio Poti, Antônio Felipe Camarão, foi batizado na manhã de 13 de Junho de 1612. Aos 30 anos recebeu os nomes de Antônio em homenagem ao santo do dia, Felipe em homenagem ao rei Felipe da Espanha e "Camarão" a tradução de seu nome (Poti). Mais tarde casou-se, na mesma igreja, com Clara, índia de nação potiguar.
Plantas hipoglicemiantes para baixar diabetes
Segue relação de plantas que pode baixar a taxa em diabetes.
hipoglicemiante: que diminui os níveis de glicose: alcachofra, alcanfora, alfazema-brava, algodoeiro, alho, angico, aroeira, babosa, boldo-dor-chile, capim-santo, cardo-santo, catingueira, cebola-branca, carqueja, chambá, côco-amarelo, confrei, cordão-de-frade, cumaru, eucalipto, fedegoso, gengibre, gergelim, gindiroba, girassol, graviola, guiné, hortelã-miúda, imbaúba, insulina, ipê-roxo, jaramatáia, jenipapo, jucá, jurubeba, laranjeira, linhaça, macela, mamona, maracujá, manjerioba, melão-de-são-caetano, mentrasto, mororó, mutamba, oiticica, oliveira, pega-pinto, pepaconha, picão-preto, pitangueira, quebra-pedra, quiabo, quixabeira, romã, sálvia, sete-dores, sucupira, tanchagem, Ubiratam, umbigo-de-bezerro, urtiga, urtiga-cansanção, urucu, vassourinha.

vc vai pegar tres pés da planta quebra pedra com raiz e tudo e tres pés de poeijo com raiz e tudo e vai ferver e fazer uma leiteira e colocar na geladeira e ir tomando no lugar da agua mas so pode fazer uma vez na semana não pode tomar muito porque a diabete abaixa de mais e some e pode ate morrer se ela sumir tudo numa ves só cuidado boa sorte

CHA DE FOLHAS DE JAMBOLAO. NOVE FOLHAS PARA UM LITRO DE AGUA, FAZER O CHA, DEIXAR ESFRIAR, COAR E TOMAR DURANTE O DIA, FEITO AGUA.

terça-feira, 12 de abril de 2011

A Capitania do Rio Grande do Norte

A Capitania do Rio Grande

(Por Genilson Medeiros Maia – Aluno do período 98.2)
Capitanias hereditárias
Após três décadas da descoberta do que seria posteriormente chamado de Brasil, Portugal voltou-se para a sua ocupação e conquista, muito mais por medo de perdê-la do que por convicção de ser um bom empreendimento.
O modelo de colonização escolhido foi o de Capitanias Hereditárias, já implantado com relativo sucesso em algumas de suas possessões menores no Atlântico, próximo ao continente africano. A Colônia, então denominada de Santa Cruz, foi dividida em quinze lotes, distribuídos entre doze donatários. A concessão dava-se por meio da Carta de Doação, na qual eram definidos os limites físicos da capitania, e do Foral, no qual eram estabelecidos os direitos e deveres dos beneficiários.
A Capitania do Rio Grande
A Capitania do Rio Grande, com cem léguas, foi doada a João de Barros, feitor das Casas de Mina e da Índia, a qual foi aglutinada com cinqüenta léguas doadas a Aires da Cunha e setenta e cinco léguas doadas a Fernão Álvares de Andrade, perfazendo um total de duzentos e vinte e cinco léguas de terras, cujos limites não são muito claros, em função do desaparecimento da Carta de Doação (CASCUDO, 1984).
O fracasso das primeira tentativas
A conquista do Rio Grande não foi possível por seus donatários em virtude da bravura dos índios Potiguares e dos franceses, esses últimos aqui embrenhados, fazendo exploração clandestina. Duas tentativas de conquista foram feitas pelos seus donatários, sendo a primeira em 1535, comandada por Aires da Cunha, contando com as presenças dos filhos de João de Barros (João e Jerônimo de Barros) e um representante de Fernão Álvares e mais novecentos homens e cem cavalos, armas e munições do próprio arsenal régio, e a segunda, provavelmente em 1555, tendo à frente somente os filhos de João de Barros. As duas tentativas fracassaram e o máximo que conseguiram foi fundar um povoado na ilha do Maranhão, a que deram o nome de "Nazaré", isso durante a primeira tentativa.
A conquista definitiva
Devido a sua localização e a sua extraordinária importância para a conquista do Norte, o Rei retomou a possessão do Rio Grande mediante indenização à família de João de Barros e ordenou ao sétimo Governador Geral do Brasil (l591 - 1602) Dom Francisco de Souza, que providenciasse a expulsão dos franceses e a construção de um Forte para dar início à colonização da Capitania. O trabalho de atacar os franceses e os índios revoltosos coube, por ordem de D. Francisco de Souza, aos capitães-mores de Pernambuco e da Paraíba, Manuel de Mascarenhas Homem e Feliciano Coelho de Carvalho, respectivamente.
A vitória portuguesa
De acordo com a organização estratégica para o ataque, duas frentes foram formadas, sendo que uma avançou por mar, comandada por Mascarenhas Homem e a outra por terra, capitaneada por Feliciano Coelho. O empreendimento foi coroado com êxito e em 06 de janeiro de 1598 foi iniciada a construção do Forte dos Reis Magos, sob os cuidados do jesuíta Gaspar de Samperes e planta de sua autoria. Daí surgiu um povoado que deu origem a Natal e também a base para a conquista da região setentrional brasileira, como um todo.
Sociedade colonial
A sociedade norte-rio-grandense após a conquista pelos portugueses era composta basicamente por três grupos étnicos: os aborígenes servindo como escravos, aldeados ou revoltados, embrenhados no mato, os invasores brancos divididos em homens livres proprietários e homens livres não proprietários e os escravos negros oriundos da África. E por imposição da própria conquista era uma sociedade agrária, na qual, em torno dos homens livres proprietários, gravitavam todas as determinações do local.
Primeira atividades econômicas coloniais
As primeiras atividades econômicas da capitania são marcadamente de subsistência, ancorando-se na pecuária, na pesca e na agricultura de mantimentos. A cultura da cana-de-açúcar nunca obteve tanto avanço aqui, restringindo-se, à época dos primeiros tempos, apenas ao vale do Cunhaú e posteriormente espalhando-se por todo o litoral sul da capitania.
Paralelamente à exploração dessas atividades, fazia-se a exploração do pau-brasil, com encaminhamento direcionado à Coroa.
Em que pese a importância do pau-brasil, da cana-de-açúcar, da pesca, da agricultura etc., a atividade econômica que viabilizou a ocupação definitiva da Capitania do Rio Grande (do Norte) foi a pecuária. De modo que a esta atividade deve-se não só a ocupação mas sobretudo o seu desenvolvimento.
Favor citar da seguinte forma:
MAIA, G. (1998). A capitania do Rio Grande. História do RN n@ WEB [On-line]. Available from World Wide Web:
Referência Bibliográfica
CASCUDO, Luís da Câmara. História do Rio Grande do Norte. 2 ed. Rio de Janeiro: Achiamê; Natal: Fundação José Augusto, 1984.
SUASSUNA, Luiz Eduardo B. & MARIZ, Marlene da Silva. História do Rio Grande do Norte colonial (1597/1822). Natal: Natal Editora, 1997.

Os Potiguares

(Por Genilson Medeiros Maia – Aluno do período 98.2)
A descoberta de um novo mundo proporcionava enfrentar barreiras, vencer desafios, rumar ao desconhecido. Terra... terra farta, terra de ninguém pronta para ser desbravada, conquistada e explorada.
Mas que surpresa! Os portugueses, aqui chegando depararam-se com criaturas "de porte mediano, acima de 1,65cm, reforçados e bem feitos no físico. Olhos pequenos e amendoados como os da raça mongólica, escuros e encovados, de orelhas grandes, cabelos lisos e cortados redondos, arrancavam os pêlos da barba até as pestanas e sobrancelhas. Eram baços, claros, pintavam seus corpos com desenhos coloridos. Furavam o beiço, principalmente o inferior, assim como orelhas e o nariz". (SUASSUNA & MARIZ: 1997, p. 51).
Seus corpos nus expostos ao sol, sob o calor e maresia, demonstravam íntimo contato com a natureza selvagem e hostil. Contrastando com as cores do horizonte e na beleza exótica do lugar, os nativos observavam grandes embarcações com figuras espalhafatosas se aproximarem.
Nesse primeiro contato, os portugueses encontraram um povo que, na escala evolutiva, superava o paleolítico e dava seus primeiros passos na revolução agrícola, quanto à domesticação de plantas de condições selvagens para mantimento de seus roçados, assim como o cultivo da mandioca. Também foram cultivadas outras espécies, como: milho, batata-doce, abóbora, algodão, tabaco, cuias e cabaças, e algumas árvores frutíferas. Para seu cultivo empregavam técnicas e instrumentos rudimentares, como a queimada e a derrubada de árvores com machados de pedra.
Além da agricultura, os indígenas praticavam a caça e a pesca como fonte de alimentação, empregando armas como o arco e flecha com pontas talhadas em pedra. Da mesma forma que eram usados na guerra.
Os homens nativos integravam-se perfeitamente ao meio, mas eram agressivos quanto a outros grupos e viviam em constantes lutas por seu território e lugares sagrados, defendendo sua aldeia.
Festejaram a natureza, as estações, as luas, o sol, a chuva. Dançavam, cantavam em noites de festas, adornados com belas plumagens, em cocares, braceletes e tornozeleiras. Ficando em volta de grandes fogueiras, cultuavam seus mortos, valentes e valorosos guerreiros pedindo sua proteção, junto aos deuses.
Enquanto que os inimigos vencidos e aprisionados eram sacrificados em rituais de antropofagia.
Na cura de doenças, utilizavam de ervas e raízes extraídas da própria natureza. Assim como o uso de entorpecentes pelo Xamãs e Pajés, quando evocavam os deuses para auxiliá-los na luta contra os espíritos do mal.
Falavam o nhe-ê-Katu (língua boa), diferenciando de outros dialetos existentes nas diferentes tribos.
Utilizavam a cerâmica na fabricação de utensílios domésticos. A rede servia para o descanso e a canoa para locomoção e pesca.
Sob o olhar europeu, aqueles nativos selvagens precisavam aprender normas de conduta e suas almas necessitavam de salvação para poderem integrar-se a uma civilização. Civilização essa que desprezara sua cultura, crenças, tradições interferindo no curso de suas vidas cotidianas.
Foi de relevante importância a missão dos padres junto aos indígenas quanto à catequização, resultando em acordos de paz, ansiados por ambas as partes.
Nesta jornada destaca-se a figura de Francisco Pinto, "apóstolo da paz", que através da catequese conseguia levar os nativos para o lado dos portugueses. Assistindo-os em suas necessidades.
Entre os nativos, Felipe Camarão revela-se como grande aliado dos portugueses, juntamente com seus comandados, destacando-se na luta contra os holandeses e seus aliados.
A participação dos potiguares também é registrada na guerra dos bárbaros ou Confederação dos Cariris, em que se rivalizavam com os Tapuias. Pois não era possível essa homogeneidade entre tribos de diferentes línguas e costumes.
As rivalidades existentes entre tribos, o domínio português e a presença de negros, contribuiu para que houvesse sincretismo de culturas, onde o índio perdeu seu espaço e território. Com isso, sua história é de difícil acesso, ficando diversas indagações sobre origens e evolução cultural, pois a presença do português e da catequização contribuíram para um direcionamento na visão histórica, a partir do momento que sentiram necessidade de integrá-los ou combatê-los, de acordo com seus interesses.
Favor citar da seguinte forma:
ARAÚJO, F. das C. de S. O. ; SILVA, F. V. da; MACÊDO, M. das V. de A. & SILVA, M. E. da. Potiguares. História do RN n@ WEB [On-line]. Available from World Wide Web:
Referências Bibliográficas
RIBEIRO, Darcy. O Povo Brasileiro. A formação e o sentido do Brasil. 2a ed. 4a reimpressão. São Paulo. Companhia das Letra,s 1996.
SUASSUNA, Luiz Eduardo B; MARIZ, Marlene da Silva. História do Rio Grande do Norte Colonial (1597/1822) Natal; 1997.
Tapuias

Por Ednilda da Silva Oliveira; Maria Auricéia de Morais; Eliete Dantas de Medeiros e Maria de Lourdes Pereira de Medeiros – Alunas do período 99.2 )
Aspectos histórico-geográfico dos Tapuias
Os Tapuias, também conhecidos por "Bárbaros", habitavam, dentre outras regiões, os sertões da Capitania do Rio Grande. Dividiam-se em vários grupos nomeados de acordo com a região onde moravam – Cariris (Serra da Borborema), Tarairiou (Rio Grande e Cunhaú), Canindés (no sertão do Acauã ou Seridó). Eram chefiados por vários reis e falavam línguas diversas. Merecendo destaque os reis Janduí e Caracará.
Caracteísticas Físicas dos Tapuias
Os homens apresentavam-se corpulentos, possuidores de grande força física. A pele queimada, em tons de marrom. Usavam cabelo longo ao sabor do vento. Não costumavam usar roupas. Eram desprovidos de pêlos por todo o corpo. Apesar de andarem nus, cobriam as partes íntimas com peças feitas de materiais rudimentares, extraídos da natureza. Em contra partida, as mulheres apresentavam estrutura física pequena, mas a cor era a mesma da dos homens. Costumavam manter os cabelos curtos ou longos, de corpos rechonchudos. Também escondiam suas partes íntimas. Adornavam seu corpo com o que encontravam na natureza – Penas de aves, folhas de plantas nativas, raízes, utilizavam-se de pedaços de paus para fazerem brincos, colares e outros. Utilizavam-se de tais enfeites tanto para a prática das danças, como na preparação para a guerra.
Rituais de Vida e Morte
Os Tapuias, por vezes, atingiam aproximadamente dois séculos de vida. Quando isso acontecia eram homenageados por sua tribo. Isto quando do sexo masculino - se do sexo feminino, ao darem à luz a mais de um filho, tornavam-se cativas. Estando doentes são visitados pelos amigos e se o caso de morte, matavam-nos para que não houvesse sofrimento. A causa mais freqüente de óbito entre os Tapuias era o veneno de cobra. Eram endocanibalistas, devoravam até mesmo os de sua tribo, quando da sua morte.
A Vida Amorosa dos Tapuias
A puberdade era o período em que a donzela estaria pronta para casar-se. A virgindade era bastante valorizada. O namoro, acontecia entre danças, onde eram escolhidos os pretendentes. No noivado, o pretendente oferecia presente ao sogro. Quando a donzela não arrumava pretendente, era levada ao rei e este a possuía.
Os jovens tinham que demonstrar valor pessoal, exibindo força física. O rei aprovava a cerimônia e quando esta se realizava, furavam-se as faces dos noivos e colocavam pauzinhos. A festa durava cinco dias. Os matrimônios eram severos, apesar da poligamia, mas as cerimônias eram reservadas às primeiras esposas. Possuir várias mulheres era sinal de prestígio. O adultério era raro, e o marido expulsava a ré, depois de açoitá-la, no caso do flagrante e poderia matá-los. Sobre os tapuias cariris, eram praticantes do adultério, e era recíproco.
Da Gravidez, do Parto e das Crianças
A Índia, quando grávida, não tinha relações com o marido, também enquanto amamentava. A tapuia dava à luz nas matas, cozia o umbigo e a placenta e comia. Quando voltava ao acampamento, o filho era cuidado por outra mulher. Os maridos tinham o mesmo resguardo da parturiente. Esta se alimentavam de farinha de mandioca, milho, feijão, até o nascimento dos dentes dos lactentes. Os nascidos mortos eram devorados pelos tarairiús. As crianças começavam a andar com nove semanas e aprendiam a nadar nesta mesma época. Entre sete e oito anos eram furados o lábio inferior e as orelhas e colocados ossos e paus, depois eram batizados, ficando aptos para as lutas.
Ferocidades, Armas e Lutas dos Tapuias
Os Tapuias possuíam semblante ameaçador, corriam igual as feras, por isso eram muito temidos. Eram inconstantes, fáceis de ser levados a fazer o mal. Eram fortes, carregavam nos ombros grandes pesos. Ao irem para guerra, marchavam em silêncio, mas no embate faziam bastante alarido, jogando setas envenenadas das quais os feridos jamais escapavam.
Foram úteis, como aliados dos holandeses, conduzindo aos lugares mais difíceis. Os tapuias que se destacavam nas lutas eram considerados heróis.
O poder real não era hereditário, este era substituído quando morto. O rei distinguia-se dos outros pelos cabelos e pelas unhas. Os tapuias eram muito obedientes ao rei.
Os tapuias se enfeitavam da cabeça aos pés para as lutas. Suas armas eram as flechas, as pranchetas, arcos e dardos, que usavam com grande habilidade. Usavam também as clavas e machados de mão; as armas eram enfeitadas com bonitas plumas. Eles não se utilizavam das armas de fogo, passaram a usar em razão da Guerra dos Bárbaros.
Das Habitações dos Tapuias
Eram nômades, paravam onde houvesse abundância de alimentos. Gostavam de viver ao ar livre. Por isso não construíam casa, levantavam alguns ramos para servir de abrigo. Eram gulosos, as reservas alimentares dentro da área duravam somente dois ou três dias. Quando partem para outros sítios tocam fogo no acampamento.
O rei era quem programava as atividades do dia e da noite. Antes de partirem, banhavam-se no rio, para espantar a moleza. Quando mudavam de acampamento, os mais fortes carregavam dois troncos de árvores. As mulheres e os meninos conduziam as armas, as bagagens e os trastes. Chegados ao local do novo acampamento, iam cortar árvores, e usavam os galhos e ramagens para fazerem sombra. As habitações dos tapuias eram toscas e feias.
Caça, Pesca e Agricultura dos Tapuias
Os tapuias levavam uma vida descuidosa. Não semeavam, não plantavam, nem se esforçavam por coisa alguma. Alimentavam-se com mel de abelhas e maribondos e com todas as imundícies da terra, como cobras e lagartos. Os tapuias armavam ciladas aos peixes e animais, utilizando seu admirável olfato e sua habilidade para comer. Alimentavam-se ainda de frutos agrestes, caça fresca, peixes, tudo sem temperos ou condimentos. Não semeavam outra coisa além da mandioca.
Para assar a carne, eles cavavam um buraco na terra e colocavam a carne, depois enterravam pondo folhas de árvores por cima e faziam uma fogueira por cima de tudo.
Para atraírem felicidade na caça e pesca, os tapuias cariris queimavam ossos de animais ou espinhas de peixes.
Os Jovens caçadores presenteavam os velhos da tribo com caças e pescarias, sem sequer comer um único pedaço. Durante o período de caça e pesca, comiam uma sopa muito rala, feita com farinha de milho ou mandioca. Depois dessa temporada, estavam magros, por razão do intenso trabalho e da alimentação inadequada.
A Língua dos Tapuias
A linguagem era um tanto mal entendida, pois era trêmula, e cantada, não se entendia nada.
Dezenas de palavras foram usadas na linguagem dos tapuias como por exemplo; carfa, caruatá, cayú, comatyn, corpamba, corraveara, cucuraí, ditre, entre outros.
As Aldeias Indígenas
Foram aldeias, que em pouco tempo foram transformadas em vilas, onde existia um chefe para governar esse vilarejo indígena, onde estabeleceu-se a forma de vida um tanto democrática entre os demais. Podemos citar alguns nomes de aldeias existentes, como: a aldeia Jacoca, Utinga, Baía da traíção, Monte Mor da preguiça, Boa Vista, Cariris, Campina Grande, Brejo, Panatis, Coremas, Aldeia dos Pegas, dos Icos pequenos, etc.
Religião dos Tapuias
A religião dos Tapuias era basicamente animista, eles adoravam as forças da natureza com o trovão, a lua, o sol, além disto, acreditavam que certos animais, como serpentes, aves e alguns mamíferos, como morcegos, praticaram sacrifícios de animais, até humanos. Os europeus aqui chegados trataram de demonizar os deuses dos Tapuias, como podemos ver na frase do cronista Morisot, "Os brasilianos só adoram o diabo, não que daí esperem um bem, mas porque o temem, e por esse motivo oferecem sacrifícios e o invocam". (30, 125).
Os Tapuias também tinham como Deus principal a Constelação da Ursa Maior, para eles um inimigo dos Tapuias o intrigou com o seu Deus, este era a raposa, a causadora de sua expulsão do paraíso. Os tapuias acreditavam na imortalidade da alma desde que a pessoa não tivesse morrido de morte matada ou de picada de serpente.
Os Tapuias não faziam nada sem antes consultar os feiticeiros e adivinhos. De um modo geral, a religião dos tapuias lembra um pouco as religiões da África, no tocante a influência forte dos feiticeiros na vida indígena. Os europeus viam nos rituais dos tapuias um comércio direto com os poderes do inferno, além disto os tapuias possuíam deuses também que regiam a agricultura, a pesca e a caça, os invocaram e sacrificaram a eles para obter boas colheitas, pesca e caça fartas. Os tapuias tinham uma lenda que falava no Deus da criação, que tinham dois filhos, o mais novo foi embora para a terra, o Deus pai enviou seu filho mais velho para buscar seu filho mais novo, mas este e seus filhos acabaram maltratando e matando o irmão mais velho, que depois de morto ficou na terra, entre seus parentes, por vários dias e somente depois ascendem ao céu, retornando para o seu pai.
Os europeus acreditavam que o Deus em quem os tapuias falavam era o Deus de Israel, o filho mais velho Jesus Cristo e o filho mais novo seria o próprio Lúcifer ou Caim.
Favor citar da seguinte forma:
OLIVEIRA, E. da S.; MORAIS, M. A de; MEDEIROS, E. D. de & MEDEIROS, M. de L. P. de. Tapuias. História do RN n@ WEB [On-line]. Available from World Wide Web:
Referências Bibliográficas
MEDEIROS FILHO, Olavo. Índios do Açu e Seridó. Brasília: Centro Gráfico do Senado Federal, 1984.


Os franceses na costa potiguar

(Por Francimar de Araújo Galvão; Josefa Emília de Macêdo; Maria Deusa dos Anjos Lima; Nilba dos Santos Medeiros – alunos do período 99.2)
Oficializado o descobrimento do Brasil, fato consolidado em 1500, pouco foi feito, em termos de colonização, nos primeiros anos do século XVI. Aos portugueses, naquele momento, interessava mais a exploração do Oriente, onde predominava o comércio das especiarias – produtos tão cobiçados na Europa da época. Por essas bandas, de comercializável, predominavam apenas as madeiras tintoriais que, ao que parece, não interessavam muito aos portugueses, naquele instante.
À espreita, rondavam os corsários franceses que, por sua vez, não contando com uma frota marítima capaz de lhes proporcionar grandes conquistas, vão aos poucos adentrando os mares, tendo penetrado na costa potiguar, lá pelos idos de 1535; um feito que enaltecera os franceses, apesar de ter sido um fato ilegal, visto que pelo Tratado de Tordesilhas essas terras pertenciam a coroa de Portugal.
A situação geográfica da região onde hoje se localiza o atual Rio Grande do Norte foi bastante favorável às incursões dos piratas e/ou corsários franceses que logo travaram grande camaradagem com os indígenas da área, tendo estabelecido o comércio e o tráfico do pau-brasil e proporcionado às mestiçagens na área dominada pelos potiguares.
Também por aquela época, a coroa portuguesa instituíra o sistema de capitanias hereditárias, tendo sido concedida a área do Rio Grande ao honrado Feitor da Casa de Mina e da Índia, João de Barros. Com o objetivo de evitar maiores dispêndios na ocupação de seu quinhão, João de Barros associa-se a dois outros donatários, que haviam sido beneficiados com lotes de terras, em regiões a Oeste do Rio Grande. Impossibilitado de participar da honrosa empreitada de ocupação de sua capitania, devido suas atividades de burocrata, Barros autoriza seus dois filhos, João e Jerônimo, a partirem para a colônia e apossarem-se das terras que, de acordo com o supremo direito concedido por El Rei D. João III, lhes pertenciam.
Ao adentrarem em "terras" potiguares, os arrojados colonizadores portugueses foram recepcionados a flechadas pelos nativos potiguares que, ajudados pelos traficantes franceses, resolveram impedir a posse dos filhos de João de Barros na capitania.
A fácil amizade firmada entre franceses e nativos potiguares deveu-se, em boa parte, ao tipo de interesse econômico, que aqueles tinham para com a terra. Os franceses buscavam apenas o comércio, sobretudo do pau-brasil e para tanto, fazia-se necessário cultivar a amizade dos nativos potiguares, de forma a obterem a mão-de-obra e os produtos desejados, sem terem que enfrentar maiores dificuldades. Ao contrário dos franceses, que desenvolveram vivência comum com os nativos potiguares por vários anos, os portugueses pretendiam fixar-se na terra, vindo a proporcionar mudanças drásticas de costumes, hábitos e crenças, através da imposição de uma nova ordem e disciplina aos indígenas.
O clima de familiaridade firmado entre franceses e potiguares foi fator preponderante para que, durante o século XVI, a área que abrangia a capitania do Rio Grande tenha sido um reduto de traficantes de madeiras tintoriais. Foi somente no final do século mencionado que os portugueses, temerosos de que os franceses viessem a consolidar a dominação da costa potiguar, decidiram-se pela ocupação definitiva da área. O empreendimento final da conquista, por parte dos portugueses, coube ao Governo Geral que, aliado a alguns colonos ricos, esperançosos de dominarem uma nova região aberta ao comércio, partiu para uma ocupação definitiva. Os objetivos iniciais da colonização do território potiguar seriam a construção de uma fortaleza militar e a edificação de uma cidade, que serviria como marcos de dominação.
O domínio do território não foi tarefa fácil, pois os potiguares continuaram hostis em relação aos portugueses, mesmo não contando mais com todo o apoio dos franceses, que ao presenciarem a armada portuguesa, picaram suas amarras deixando para trás uma capitania devastada pela exploração desenfreada de suas matas. Apesar das freqüentes hostilidades dos nativos, os portugueses consolidaram o domínio definitivo da capitania, fato que se deu nos últimos dias de 1597.
Favor citar da seguinte forma:
GALVÃO, F. de A; MACÊDO, J. E. de; LIMA, M. D. dos A. & MEDEIROS, N. dos S. Os franceses na costa potiguar. História do RN n@ WEB [On-line]. Available from World Wide Web:
Referências Bibliográficas
CASCUDO, Luiz da Câmara. História do Rio Grande do Norte. Rio de Janeiro: Departamento de imprensa Nacional, 1955.
SANTOS, Paulo Pereira dos. Evolução econômica do Rio Grande do Norte (do século XVI ao XX). Natal: Clima, 1994.